18.03.14 • Em Dinheiro

Você acha que precisa de muito para ser feliz?

Pode ser que sua resposta para esta pergunta seja um enfático “não” e que você acredite no poder da simplicidade e saiba que acumular objetos não te faz mais feliz, mas ainda não consiga aplicar isso na vida porque o prazer momentâneo de gastar dinheiro, carregar sacolas e ter mais coisas ainda te seduz. Isso não quer dizer que você tem algum distúrbio compulsivo e precisa se tratar (a não ser que gaste mais do que tem, sua conta esteja no vermelho e você não consiga parar de comprar), mas se sua vontade é conseguir praticar o desapego e viver melhor com menos, o primeiro passo é mudar a sua forma de pensar.

Acredito na simplicidade, mas não sou radical a ponto de achar que todo mundo deve abrir mão de absolutamente tudo para ser feliz. Por outro lado, tenho aplicado cada vez mais a redução do consumo em minha vida e colhido os bons resultados dessa escolha. O maior benefício, com certeza, é descobrir que há coisas muito mais prazerosas para fazer do que comprar, e que, comprando menos, posso fazê-las mais vezes.

Simplicidade minimalismo felicidade

Para mudar a forma de pensar e a visão sobre o que os bens materiais significam para você é necessário um processo que combina entendimento e ação. A mudança não acontece da noite pro dia. É preciso, aos poucos, descobrir e sentir os efeitos positivos de uma vida com menos coisas.

Aqui estão sete exercícios que você pode praticar para compreender de uma vez por todas que é capaz de viver bem com menos. A intenção é fazer você descobrir se uma mudança de pensamento sobre o ato de comprar poderia tornar a sua vida melhor. Talvez seja isso o que falta para você melhorar sua relação com o dinheiro, aproveitar os bons momentos e ser mais feliz.

1) Tratamento de choque: quando tiver algum tempo livre, vá até seu quarto e olhe o que há dentro de seu armário, estantes, gavetas, porta-trecos, debaixo da cama…olhe tudo e separe em um canto as coisas que comprou e não usa, nunca usou, usou muito pouco e também os produtos vencidos. Ao terminar, olhe para a quantidade de objetos que você separou e calcule quanto dinheiro há desperdiçado ali e o que você poderia ter feito com ele se não tivesse gastado nisso. Eu fiz e fiquei chocada quando percebi quanto dinheiro foi gasto em livros que nunca li, cremes, perfumes, sapatos, maquiagem, esmaltes e outros produtos de beleza que nunca usei. No mínimo, dava para pagar passagens de avião para visitar minha família na Bahia, coisa que não faço há mais de um ano.

2) Jogue fora (ou doe) uma coisa por dia: Se você cumpriu o primeiro passo, já tem separado muitas coisas para doar e pode começar a partir dali. Sem dó e sem desculpas, livre-se de uma delas por dia, e depois que acabar, continue encontrando um item por dia em suas coisas para jogar fora ou doar. Olhe suas roupas, abra sua bolsa, carteira, sapateira, tire os enfeites que só ocupam espaço. Sempre vai haver algo para se desfazer, você vai se surpreender ao ver quanta coisa descartável possui.

jogue fora ou doe

3) Passe um mês sem comprar nada: sim, você vai sobreviver. E vai perceber que consegue viver muito bem com a quantidade de roupas que tem, com seu celular não tão moderno e sem a bolsa que viu na vitrine semana passada e estava esperando receber o salário para comprar. Também vai descobrir que improvisar não é uma tarefa tão árdua como você pensava que era. Ter consciência de que pode viver normalmente com o que já tem fará você perceber que aquilo tudo que você via como extremamente necessário, na verdade, não era. Esse exercício é um dos mais poderosos para mudar sua visão sobre a quantidade de coisas que realmente necessita.

4) Teste suas prioridades: experimente fazer uma troca e empregar o dinheiro que você usaria para comprar algo em uma atividade diferente e divertida. Pode ser pagar os ingressos do teatro, a entrada do zoológico, a conta de um restaurante que você adora mas nunca vai, fazer um tratamento relaxante, ir a um show, o que tiver vontade. Depois que fizer isso, compare a intensidade e duração da empolgação sentida com a que sente quando compra algo. Você trocaria os momentos que passou por um objeto?

5) Comece a aproveitar melhor o que você tem: sabe aquele creme hidratante super cheiroso? Você não precisa de vários dele ou de outros, tenha apenas um e aproveite a sensação boa quando usá-lo. Por que você precisa comprar cinco livros cada vez que vai na livraria? Se vai ler um por vez, compre um por vez! Tem uma peça de roupa ou sapato favorito? Use-os muitas vezes, qual o problema? Para curtir as suas coisas, você não precisa ter um monte de cada, basta ter uma que você goste e saiba aproveitá-la.

aproveite o que voce tem

6) Abra espaço: na sua casa, no seu quarto, no seu armário e na mesa de trabalho, para que tudo fique mais organizado, visível e fácil de encontrar. Mais importante ainda, abra espaço também na sua vida para descobrir prazeres além do comprar. Troque um dia no shopping com as amigas por um piquenique no parque com elas. Ao invés de se distrair na internet olhando sites de compras, leia artigos interessantes. Quando caminhar na rua, tire os olhos das vitrines e observe as outras pessoas, o caminho, procure por coisas bonitas que não estejam à venda. Mude sua visão.

7) Equilibre: seguir estes passos e reduzir a quantidade de coisas que necessita não significa que você nunca mais pode ter um sonho de consumo ou comprar algo no shopping. Estamos falando sobre encontrar o equilíbrio, aproveitar melhor a vida e diminuir a dependência do consumir-para-ser-feliz. A partir do momento em que você entender o que é importante, definir prioridades e não mais comprar por impulso ou para se sentir melhor, naturalmente vai conseguir reduzir a quantidade de coisas que compra. Vai desapegar e perceber que ter objetos não é o que te faz aproveitar a vida, crescer e estar bem consigo mesmo. O sentimento de “falta”, que tanto traz infelicidade e angústia se dissolve e você descobre, finalmente, que já tem tudo o que precisa para ser feliz.

Fotos: 123

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Postado por Stephanie Gomes

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7 Comentaram para “7 passos para reduzir a quantidade de coisas que você (pensa que) necessita”


G
1. daniela navaes
18/03/2014 às 18:22

muito bom! eu confesso que sou um pouco desorganizada, e toda vez que eu tiro pra fazer “aquela” faxina no quarto, eu me assusto com a quantidade de coisas que jogo fora. antes eu hesitava muito, mas felizmente cada vez mais eu tenho tido facilidade pra me livrar. na verdade às vezes eu tenho que me segurar pra não jogar fora também coisas importantes, como documentos, contas antigas… porque minha vontade é de queimar tudo!

talvez outro bom exercício poderia ser o seguinte: se você fosse se mudar hoje, o que você levaria? eu costumo pensar assim, e te garanto que mais da metade do que eu tenho no meu quarto ficaria pra trás.

aliás, acabei de me tocar que já está na hora de fazer mais uma dessas faxinas milagrosas.
obrigada pelo post! 😀

beijos, namastê!


G
2. Stephanie
18/03/2014 às 20:50

Eu também tenho cada vez menos dificuldade em me desfazer de objetos, aliás, adoro ver que tenho mais espaço livre e que sobraram apenas as coisas importantes na minha mesa, armário e gavetas.

Muito boa essa questão! Me fiz a pergunta e percebi que ainda tenho muitas coisas que poderia doar ou jogar fora, apesar de ter feito uma limpeza nas minhas coisas recentemente.

Beijos!


G
3. daniela navaes
18/03/2014 às 18:23

ah, você tem parentes na Bahia? aonde? eu sou de Salvador!


G
4. Stephanie
18/03/2014 às 20:53

Sim!! Toda a família da minha mãe mora em Salvador. Não sei onde exatamente, mas da última vez que fui pra lá fomos bastante pra Ipitanga, conhece?

Meu sonho é morar na Bahia, não existe lugar mais lindo e abençoado no mundo. Que sorte a sua morar em Salvador!


G
5. daniela navaes
21/03/2014 às 10:40

ah, que legal! sim, conheço ipitanga, lá tem praias ótimas.
da próxima vez que vier me avisa, quem sabe a gente não bate um papo, faz uma prática de yoga e troca umas ideias 🙂


G
6. Stephanie
21/03/2014 às 20:22

Com certeza!!! Espero esse ano conseguir ir 🙂




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