22.01.15 • Em Autoconhecimento, Filmes

O filme Livre (Wild), baseado no livro que conta a história real vivida pela autora Cheryl Strayed, estreou quinta-feira passada nos cinemas do Brasil. Eu li o livro ano passado e estava tão ansiosa pelo filme que saí sábado de manhã e fui até um shopping no centro da cidade (porque não tinha sessão em nenhum cinema perto) pra pegar a primeira sessão do dia e assistir.

Livre é um filme sobre autoconhecimento. Mas não o tipo de autoconhecimento tranquilo e fácil que imaginamos quando falamos no assunto. É o autoconhecimento que passa também pela dor, pelas dúvidas, pelo arrependimento, pela vontade de desistir, pela tristeza, pela solidão e pela insegurança. Por isso o filme é tão real e foi tão fácil para mim me identificar com ele.

Filme: Livre (Wild)

Depois de passar por um divórcio doloroso, a perda da mãe a quem era extremamente ligada e o envolvimento com drogas pesadas que a fizeram chegar ao sofrimento extremo, Cheryl Strayed decide largar tudo e percorrer sozinha a Pacif Crest Trail, uma trilha de 1.700 quilômetros que vai dos Estados Unidos ao Canadá, em busca de si mesma.

Logo no início, Cheryl precisa enfrentar seu primeiro desafio: decidir entre seguir em frente com coragem ou voltar para onde estava. Entre sofrer na busca de um recomeço ou continuar sofrendo sem nenhuma perspectiva de mudança. Já na trilha, ela enfrenta inúmeras outras dificuldades: medo, fome, dor física, despreparo, animais selvagens, pessoas com más intenções e caminhos com obstáculos. Mas fica claro no filme que nada disso se compara à dor da tristeza causada pelo principal motivo de seu sofrimento: o passado, as lembranças, os erros cometidos e as consequências de carregar tudo isso. Sua maior dor ali naquela trilha era a interna, não a externa.

O filme começa com Cheryl já na trilha e vai aos poucos mostrando as cenas de seu passado que passam pelo pensamento dela durante a caminhada. Do início ao final a história vai se construindo de forma bem interessante, envolvendo quem assiste com os sentimentos e reações dela em relação a cada lembrança. Não é um filme tão dramático, de fazer o cinema todo sair chorando, mas é forte e intenso, ao mesmo tempo em que é delicado e muito reflexivo. Por eu também ter perdido minha mãe muito cedo, foi impossível não me emocionar com as cenas de Cheryl com a mãe e ver como a saudade e a falta mexiam com ela e como esses sentimentos influenciavam suas atitudes (tanto as certas como as erradas). Mas mesmo sem identificação com a história, Livre vai despertar diversas reflexões em quem assistir. Reflexões muito pessoais, é claro, mas todos nós estamos vivendo, sentindo, buscando e nos conhecendo, e o filme é justamente sobre isso.

Filme: Livre (Wild)

Apesar do aperto no peito que o filme me causou, saí do cinema com a sensação de que minha mente tinha sido “refrescada” de alguma forma, e que algumas dores, pensamentos negativos e dúvidas minhas tinham esfriado. Percebi que o filme tinha me feito entender que tudo bem às vezes eu me sentir perdida. Tudo bem eu ter algumas feridas profundas dentro de mim que provavelmente nunca vão cicatrizar. Tudo bem eu não saber exatamente o que vou fazer lá na frente. Nada disso me impede de ser feliz. Eu só preciso confiar e me permitir sentir o que quer que eu esteja sentindo, sem fugir. Não desviar o tempo todo da dor, mas ir pra cima dela, mesmo chorando, com medo e sem saber exatamente o que ela é.

Livre me fez sentir vontade de também entrar em uma jornada dura de autoconhecimento e levar algumas porradas da vida para sentir na pele e nunca mais esquecer o quanto eu sou forte, o quanto sou capaz de ser uma pessoa boa apesar dos meus erros e que sou eu a responsável pelo rumo que minha vida toma. Porque confesso que às vezes eu esqueço de tudo isso.

Filme: Livre (Wild)

As três lições mais importantes que tirei do filme:

  • A gente realmente não precisa aceitar situações e pessoas que nos fazem infelizes, mas temos que compreender que dentro da felicidade pode sim haver um pouco de tristeza. E isso não quer dizer que fracassamos ou estamos condenados a uma vida de infelicidade.
  • Sofremos quando nos sentimos perdidos porque acreditamos que todas as outras pessoas têm total certeza sobre o que estão fazendo, que somos os únicos no mundo a nos sentir assim e que isso quer dizer que há algo totalmente errado e irreparável em nós – e pra piorar não conseguimos descobrir o que é. A verdade é: estamos todos, de alguma forma, perdidos. Ninguém tem certeza de nada e tudo pode mudar em um segundo. Não vale a pena se preocupar tanto com isso, afinal, “é caminhando que se faz o caminho”.
  • Nossas escolhas se resumem sempre a duas opções: ou você segue em frente e enfrenta o que vier ou você fica onde está e se conforma.

Fotos: 123



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Postado por Stephanie Gomes

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14 Comentaram para “Filme: Livre (Wild)”


G
1. janaina
22/01/2015 às 12:55

espero que seja mais uma grande dica como foi “a vida secreta de walter mitty” me trouxe muita inspiraçao e desejo de viver mais intensamente, acho que vou me espelhar, to passando por um divorcio turbulento e em vez de mae perdi meu pai.É sempre bom ver como as pessoas lidam e superam as coisas que nos afligem tambem.


G
2. Stephanie
22/01/2015 às 19:42

Janaina, se você assistir venha me contar o que achou!

Walter Mitty também é maravilhoso, né? Preciso até rever. Esse é um pouco diferente porque é mais dramático, mas vale a pena assistir também. Espero que você goste!

E meus sentimentos pela sua perda, espero que ver o filme te ajude como me ajudou em relação a isso.

Beijos


G
3. Marina
23/01/2015 às 10:47

Uau. fiquei até arrepiada lendo a resenha. Vou assistir certeza..to num momento meio fora dos trilhos, acho que vai ser bom! e fiquei bem surpresa de ver a Resse nesse personagem :O


G
4. Stephanie
24/01/2015 às 08:49

Marina, depois que assistir venha me contar se gostou! Eu também estava numa fase meio esquisita quando assisti, carregada de negatividade… o filme me ajudou!

E a Reese tá maravilhosa no filme 🙂

Beijos!


[…] Fonte: Desassossegada […]


G
6. Clarissa Campos
26/01/2015 às 18:16

Chegueiaqui pelo ‘Sernaiotto’ e adorei seu blog, no geral. Parabéns!
Muita vontade de ver esse filme! 😉


G
7. Stephanie
26/01/2015 às 21:09

Oi Clarissa, seja bem-vinda! Espero que volte mais vezes 🙂

Se assistir ao filme, volte para me contar o que achou!

Beijos


G
8. Jordana
26/01/2015 às 19:15

Depois da sua crítica… tô doidinha pra assistir! Um estilo de filme que me atrai bastante: que reflete sobre a fragilidade (e plenitude) da vida e ainda baseado em história real. Além do que toca numa ferida minha tbm. Boa dica!


G
9. Stephanie
26/01/2015 às 21:07

Jordana, juro que pensei até em te mandar mensagem pelo Facebook pra falar pra você assistir esse filme, não mandei porque fiquei com medo de te dar a dica e você não gostar hahaha! Mas enfim, acho que você vai gostar. Depois me conta!

Beijos


G
10. Josy
27/01/2015 às 12:10

Esperando ansiosamente que chegue em breve nos cinemas de bh. Assim que colocou o post, verifiquei nos cinemas e não encontrei.
Vou esperar, quero muito assistir…
Thanks pelo post e pela dica do filme Stephanie.

Abraços


G
11. Stephanie
27/01/2015 às 19:51

Josy, aqui em SP pouquíssimos cinemas colocaram esse filme em cartaz, infelizmente, então fica de olho. Eu tive que ir em um cinema bem longe da minha casa assistir :/

Depois que assistir venha me contar o que achou!

Beijos


G
12. Josy
28/01/2015 às 09:47

Nossa Stephanie, não sabia, obrigada por informar, então corro o risco de não ve-lo. Se eu conseguir ficarei feliz, pois o envolver do filme me parece muito interessante. Se eu conseguir assisti-lo, com maior prazer comentarei.

Beijos!


G
13. Dana
20/10/2016 às 08:54

Grande filme … brilhante! O filme é sobre a vida. Esta película é o mesmo de inspiração como “A Walk in the Woods” ( http://filmesonline.video/1360-a-walk-in-the-woods-2014.html ).


G
14. Stephanie
21/10/2016 às 06:40

Ainda não assisti esse, Dana! Vou procurar!



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