18.04.16 • Em Autoconhecimento, Reflexão

Por que algumas pessoas têm medo de determinadas coisas e outras não? Por que eu sou sempre quem mais se preocupa com tudo? Como podem existir pessoas que conseguem não se abalar em certas situações que, para mim, parecem o fim do mundo? Por que a energia negativa dos outros me afeta tanto?

Eu sou fraco? Sou medroso? Sou exagerado? Sou anormal?

Na verdade, é algo bem mais profundo e significativo do que isso.

As coisas externas te afetam de acordo com o espaço que ocupam e o formato que elas têm dentro de você. Tudo o que acontece do lado de fora e te afeta só é percebido por você porque também existe do seu lado de dentro. Caso contrário, você seria incapaz de perceber a sua existência. O exterior que você vê é uma projeção, um reflexo do seu interior. Você só consegue ficar ciente de algo quando aquilo também está dentro de você – mesmo que não esteja aflorado naquele momento – e faz parte da sua memória. Você só nota e é atingido por algo quando existe alguma lembrança ou crença dentro de você que faz com que você identifique aquilo como real. E quanto mais determinada emoção, crença e lembrança estiver crescida e forte dentro de você, mais você irá se identificar com ela no mundo exterior – e vivenciará seus efeitos.

A realidade e a SUA realidade

Sabe quando uma pessoa não diz nem faz nada, mas você sabe que ela está irritada? Você só consegue perceber isso porque reconhece aquela irritação lá dentro de você. Você nota a existência da irritação da outra pessoa porque conhece essa emoção, já a experimentou, ela deixou a memória dela dentro de você. Caso contrário, você não seria capaz de notar, porque não saberia que essa emoção existe.

Se uma pessoa com raiva se aproximar de um bebê, o bebê não vai perceber que essa pessoa está com raiva, nem será afetado por ela. Ele não conhece a raiva, ele nunca vivenciou a raiva, ele não sabe da existência da raiva. Mas você percebe, até mesmo quando a outra pessoa tenta disfarçar. Porque você reconhece aquele sentimento, já que ele faz parte das suas memórias e está aí dentro de você. Então, mesmo que você não queira e mesmo que não esteja irritado, aquela raiva, de alguma forma, começa a fazer parte da sua experiência. A intensidade do quanto ela te afeta depende da força que aquele sentimento já tem dentro de você. Talvez te afete muito e te deixe também com raiva, ou talvez você apenas perceba que ela está ali e nada mais.

É por isso que, se você não quer absorver a energia negativa alheia, é muito mais eficiente trabalhar para limpar e purificar o que há dentro de você do que tentar mudar os outros.

O mesmo vale para sentimentos positivos. Se uma pessoa com energias positivas se aproxima de você, o quanto você vai ser contagiado por aquela energia boa depende do quanto de energia positiva há dentro de você. Se não houver alegria em seu interior, você não vai conseguir levar para a sua realidade a alegria da outra pessoa.

A realidade e a SUA realidade

É desse mesmo jeito que funcionam aquelas coisas que nos deixam mal no dia a dia: preocupações, ansiedades, medos… Você só se preocupa, fica ansioso ou sente medo porque há algo dentro de você (um trauma, uma lembrança, uma crença, uma história que ouviu…) que faz disparar essa preocupação, ansiedade ou medo. Se você não tivesse algo que estimula essas sensações dentro de você, não seria possível que elas se tornassem reais.

Uma criança não tem medo de começar a tentar andar, apesar de toda a dificuldade que ela tem para conseguir. Seus pais sabem que é perigoso pois ela pode cair, mas ela não, afinal, nunca teve contato com aquele medo.

Você tem medos porque eles fazem parte de você, não porque aquilo de que você tem medo é realmente algo ameaçador ou perigoso. De alguma forma seus medos se tornaram parte de você: seus pais te falavam algo contra isso na infância, você sofreu um trauma ou acidente, ouviu alguma história ruim, absorveu uma crença limitante…

Se você passou a vida inteira ouvindo sua família dizer que pra ter algo na vida é preciso trabalhar duro, que não é fácil ter dinheiro e que quem não se mata de trabalhar é vagabundo, é assim que você vai sempre acreditar que sua vida tem que ser: dura, trabalhosa, pesada, difícil. Isso é a realidade para você. Você não vê a possibilidade de ser próspero trabalhando de forma leve e tranquila como algo real. Mas essa é a realidade de várias pessoas – não apenas as que “já nasceram ricas”, como as suas crenças podem estar fazendo você pensar enquanto lê isso.

Enquanto você está aí, lendo esse texto, é possível que outra pessoa também esteja lendo-o. Mas, apesar de as palavras serem as mesmas, essa leitura vai significar coisas diferentes para você e para ela. Você vai ler e se identificar mais com alguns trechos e menos com outros, e o que vai tirar da leitura depende das suas experiências, conhecimentos e valores construídos. A outra pessoa vai se identificar mais com outros exemplos, outras frases, porque aquilo que toca a outra pessoa não é o mesmo que toca você. Esse texto diz uma coisa para você e diz outra coisa para a outra pessoa. Você vai absorver a leitura de uma certa forma, e a outra pessoa de outra.

Entende por que existe a realidade e existe a SUA realidade?

A realidade e a SUA realidade

O objetivo dessa reflexão é trazer para a consciência o fato de que TUDO o que você vê, lê, ouve e interpreta é a SUA realidade, e não a realidade pura. Trazer para a consciência o que é que faz você enxergar as coisas da forma que enxerga é um trabalho profundo de autoconhecimento. Alcançar esse entendimento pode te ajudar a ter muito mais clareza sobre suas emoções, reações e formas de pensar.

Saber que você não vê o mundo como ele é, e sim como você é, te ensina a ser mais tolerante, aceitar e respeitar os outros – e também a tolerar, aceitar e respeitar a si mesmo. E também pode te orientar para que você perceba o que pode mudar em si mesmo para enxergar as coisas de uma forma mais positiva.

Se você quer melhorar o seu filtro interno para que a sua realidade tenha mais positividade, amor, coragem, paz e felicidade, experimente algumas ações que ajudam a ressignificar o que existe dentro de você:

  • Alimente sua mente com coisas positivas – pense em coisas boas, leia livros com mensagens motivadoras, veja filmes inspiradores, leia notícias positivas. Boa parte das suas memórias foram compostas por estímulos externos, então comece agora e usá-los a seu favor.
  • Faça um esforço para olhar para todas as pessoas com olhos de amor e de empatia. Coloque-se no lugar do outro e pense como gostaria de ser tratado; transmita energias de amor a todos, principalmente àqueles que menos fazem isso.
  • Tente com boa vontade enxergar o que os seus problemas podem te ensinar de positivo.
  • Obtenha novos estímulos, novas experiências e novas reflexões. Elas podem fazer você chegar a novas conclusões e modificar seus filtros para melhor.
  • Purifique sua mente: medite, fique em silêncio, faça limpezas internas, dê adeus àquilo que não te faz bem, livre-se de expectativas e coloque-se no momento presente.
  • Identifique suas crenças – ter consciência delas é o primeiro passo para libertar-se de suas limitações.
  • Pratique Ho’oponopono, a terapia havaiana de cura de memórias – se você não conhece, fique de olho que vou escrever um post bem completo sobre o assunto nas próximas semanas.


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Postado por Stephanie Gomes

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16 Comentaram para “A realidade e a SUA realidade”


G
1. André
18/04/2016 às 08:33

Tão bom de manhã cedo, e já me deparar com um texto desse. Maravilhoso! Aguardando mais sobre a terapia havaiana. 🙂


G
2. Stephanie
18/04/2016 às 10:32

Muito bom receber um comentário como o seu logo de manhã também, André! Vou preparar o post sobre o Hooponopono pra semana que vem 🙂


G
3. Camila
18/04/2016 às 13:05

Adorei o post!!


G
4. moisés merrelho
18/04/2016 às 14:43

Muito bom,este texto faz bem e ajuda-me a viver melhor. obrigado


G
5. Alisson
18/04/2016 às 19:11

Ótimo texto Stephanie. O parágrafo em que diz sobre a pressão familiar para trabalhar duro e ser responsável transcreve muito bem minha realidade.

Meu pai sempre adotou uma postura muito pesada e séria conosco, acredito eu em virtude de sua infância e juventude bastante complicadas, e se tornou uma pessoa um pouco nostálgica. Como resultado disto, minha família esteve rodeada em um ambiente melancólico a vida toda, mas nós nunca pudemos entender o motivo da tristeza que nos permeava porque nunca houve nenhum motivo para tal.

Já depois de adulto e de estar vivendo só há quase 10 anos, por várias vezes me peguei adotando posturas semelhantes a de meu pai e tenho tentado, com todas as forças, mudar estas características que não fazem bem a ninguém, mas em momentos de maior pressão ou stress, eu acabo por me comportar exatamente igual a ele.

Em uma situação recente, por exemplo, estava me sentindo realmente infeliz em meu trabalho, fazendo horas extras diariamente e sequencias de mais de 100 dias ininterruptos de trabalho, mas não conseguia me libertar da situação devido a esta fixação de que trabalho precisa de duro e exaustivo para ser digno.

Após dois anos e meio de trabalho nesta empresa eu finalmente consegui pedir minha demissão e deveria me sentir em êxtase, aliviado, mas, ao contrário, me peguei profundamente deprimido por ter abandonado o emprego.

Comecei a ler esta semana o livro “100 Maneiras de Motivar a si Mesmo” (eu gosto de livros de autoajuda, não me julgue, haha) na tentativa de adotar posturas mais positivas no meu dia-a-dia, e fui pesquisar alguns livros para o meu Kindle, foi aí que acabei descobrindo seu blog (acho que o blog está sendo mais interessante que o livro!)

Eu realmente gostei de seu trabalho aqui e percebo que o faz com bastante carinho. Me esforçarei para seguir suas dicas e, como nosso amigo André que comentou aí em cima, estou ansioso pelo post da terapia havaiana de que tanto fala. Abraços 🙂


G
6. Stephanie
18/04/2016 às 22:27

Alisson, gostei muito do seu comentário, obrigada por dividir um pouco da sua história aqui no blog.

Eu acho que é muito difícil a gente não adquirir crenças da nossa família, ainda mais porque aprendemos essas crenças geralmente na infância e na adolescência, fases da vida em que estamos muito vulneráveis e não temos consciência disso. Justamente por não termos consciência, carregamos essas crenças até a vida adulta e algumas pessoas nunca se tornam consciente delas, apesar de elas controlarem intensamente as nossas vidas.

Eu percebo muito isso em mim mesma e gostaria muito de fazer terapia com um psicanalista para me ajudar a entender melhor isso. Mas acho que a consciência e a auto-observação já têm me ajudado bastante. Esse trabalho interno é fundamental e precisa ser constante, trabalhado diariamente.

Não vou te julgar por ler autoajuda de forma alguma, eu leio um livro de autoajuda atrás do outro e muitos já me ajudaram a melhorar a minha vida e a mim mesma. Acho uma grande besteira esse preconceito com o gênero, típico de quem gosta de julgar os outros para se sentir superior. Coisas do ego…

Inclusive já li esse livro que você está lendo 🙂

Obrigada pelo carinho, fiquei muito feliz em saber que te ajudei a gerar essa reflexão. Por favor, apareça mais vezes por aqui!

Abraços!


G
7. Kárita
18/04/2016 às 21:10

Já estou aguardando esse próximo post sobre o hooponopono…
Beijocas!!


G
8. Stephanie
18/04/2016 às 22:30

Semana que vem, Kárita! 🙂


G
9. Aryana
19/04/2016 às 19:00

Acabei de descobrir seu blog e estou amando! Como disse o Alisson, tbm tive problemas com o jeito do meu pai, super rígido, crítico, e que impunha a opinião dele como a única verdade. A única coisa q importava pra ele era trabalhar, e parar para fazer qualquer outra coisa era perda de tempo. Isso nem preciso dizer como me atrapalhou na vida e atrapalha até hoje, pois cresci com algumas crenças q estou trabalhando para mudar… Eu não conseguia por exemplo parar para assistir um filme sem ter um ataque de ansiedade, por achar q eu estava perdendo tempo rsrs… Os livros de auto ajuda realmente ajudam muito, pois nos fazem ver as coisas com outra perspectiva, refletir, analisar, nos auto conhecer,mudar a maneira de pensar… Parabéns pelo blog,já estou ansiosa pelo post sobre a terapia havaiana.


G
10. Stephanie
19/04/2016 às 20:07

Oi Aryana, bem-vinda!

Acho que uma coisa que é importante lembrar é que nossos pais viveram em outra época, com outros padrões de comportamento e também receberam crenças limitantes dos próprios pais e de outras influências externas. Isso explica muita coisa! Provavelmente, eles também foram atrapalhados por crenças e se libertaram de algumas delas, assim como estamos fazendo agora. Sei que você não falou isso, mas vale lembrar: não culpe seus pais, responsabilize-se por si mesma 😉

O post sobre o ho’oponopono entra semana que vem!

Beijos!


G
11. Susany Batista
24/04/2016 às 14:04

Gente que texto incrivel, me fez refletir bastante. Amei de verdade. bjs, adoro seu blog


G
12. Stephanie
25/04/2016 às 19:57

Obrigada, Susany!!


G
13. Nathalia Ceccon
25/04/2016 às 10:53

Que texto lindo, Stephanie. Muito bom começar a semana com palavras tão inspiradoras e acolhedoras ♥


G
14. Stephanie
25/04/2016 às 19:56

Fiquei super feliz em saber que gostou, Nathalia! Espero que sua semana seja inspiradora também 🙂


G
15. Flávia
13/05/2016 às 16:26

Adorei seu blog!! Era tudo que estava precisando nos últimos dias! Já li vários posts! 🙂


G
16. Stephanie
13/05/2016 às 23:38

Obrigada pelo carinho, Flávia <3



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