15.08.16 • Em Reflexão

Pokémon GO: a polêmica da vez. Eu não sou muito de entrar em polêmicas, mas achei que esse assunto dava um bom gancho para falarmos sobre comportamento e fazermos uma reflexão interessante aqui no blog.

Pokémon GO é um jogo. O principal objetivo de um jogo é divertir quem joga. Diversão é o que leva pessoas a jogarem jogos. Ninguém joga um jogo no celular buscando um diploma ou a elevação espiritual. Mas parece que muita gente acha que a partir do momento em que uma pessoa começa a caçar Pokémons ela automaticamente se torna uma idiota-manipulada-não-evoluída.

A quantidade de teorias da conspiração sobre um simples jogo têm me assustado. É um tal de falar que caçar Pokémons aliena as pessoas, que os nomes dos Pokémons são nomes alternativos para o capeta, que o governo está espionando nossas casas… GENTE! A alienação, a maldade e o acesso a informações sobre a vida das pessoas já existia antes de Pokémon GO existir, viu?

Mas não é sobre isso que eu quero falar, e sim sobre o contraponto entre a facilidade que temos em enxergar o lado negativo das coisas e a dificuldade em vermos as coisas pelo lado positivo.

Pokémon Go e a nossa dificuldade em ver as coisas pelo lado positivo

Pokémon pode ser prejudicial? Sim, pode! Assim como QUALQUER coisa pode ser prejudicial dependendo do uso que fazemos. Água em excesso pode fazer mal, vitaminas em excesso podem fazer mal. Não podemos simplesmente dividir as coisas em “faz bem” e “faz mal”. Precisamos analisar com mais cuidado, observar, ponderar, buscar enxergar o lado positivo e o lado negativo, e só então tirar uma conclusão e fazer as nossas escolhas, levando em conta os diversos usos que podem ser feitos de determinada coisa.

Isso vale para jogos, para a internet no geral, para relacionamentos, para aquilo que consumimos, para como nos divertimos, para as nossas escolhas… para TUDO!

Para mim, o que foi interessante observar com as reações ao Pokémon GO foi que logo que eu comecei a jogar vi coisas legais acontecerem: crianças e jovens, que costumam ficar em casa o dia todo em frente ao computador, saíram para andar na rua ou em parques caçando Pokémons (tenho um irmão mais novo e vi isso acontecer com ele e os amigos dele), o que é ótimo para a saúde. Nos primeiros dias, eu, meu irmão e meu pai baixamos o jogo e ficamos pegando Pokémons, tirando fotos, rindo e nos divertindo juntos, diferente do que costumamos fazer geralmente que é cada um ficar fazendo suas coisas em seus computadores.

E logo surgiram também notícias muito boas sobre o jogo:

Pokémon Go transformou a vida de garoto autista que não conseguia sair de casa

Professor de matemática ensina trigonometria aos alunos usando Pokémon GO
Hospital infantil usa Pokémon GO para tirar pacientes do leito
Pais aproveitam Pokémon GO para passar mais tempo com os filhos

Então eu me assustei quando comecei a ver as críticas pesadas que algumas pessoas fizeram ao jogo, dizendo que não querem que seus filhos joguem ou que não vão se alienar jogando “isso”.

Observar essas reações me trouxe a essa reflexão.

Médico e paciente jogando Pokémon GO em hospital nos Estados Unidos

Por que muitas vezes exaltamos tanto o negativo e passamos batido pelo positivo?

Por que quando algo novo surge vamos logo tentando encontrar alguma forma de dizer que aquilo é ruim?

Por que queremos tanto encontrar algo de negativo para falar?

Por que não trabalhamos com o mesmo afinco o nosso olhar positivo?

Por que não damos mais atenção às notícias boas sobre um assunto do que às ruins?

Já pensou se empregássemos o mesmo esforço para encontrar coisas positivas para dizer e motivos para exaltar o lado bom das coisas? Seríamos capazes de aproveitar muito melhor as oportunidades e as ferramentas que temos. Curtiríamos muito mais as pequenas coisas. Saberíamos que o efeito que as coisas têm na nossa vida depende muito mais do uso que fazemos delas do que o que elas são (ou parecem ser).

Sempre podemos encontrar o lado positivo e o lado negativo de uma situação, uma atividade, uma ação, uma mudança. O que determina isso é a nossa percepção. E a nossa percepção é fortemente influenciada pelos nossos hábitos, as nossas manias, a forma como nos acostumamos a ver as coisas. Se trabalharmos o hábito de procurar o lado positivo, naturalmente começaremos a ver com mais frequência o lado positivo daquilo que surge em nossas vidas. Já se cultivarmos a mania de buscar o negativo e sempre tentarmos encontrar motivos para fazermos críticas, tudo sempre nos parecerá mais negativo do que positivo.

E isso obviamente não é apenas referente a Pokémon. Posso dar outros exemplos:

A internet: você pode dizer que internet vicia, que prejudica os estudos e o trabalho OU pode dar mais atenção ao fato de que a internet permite que as pessoas tenham acesso a muito conteúdo, que ela facilita a comunicação e traz muitas facilidades para o nosso dia a dia.

As redes sociais: você pode exaltar o fato de que nas redes sociais as pessoas só ficam fingindo que suas vidas são perfeitas para fazer inveja aos outros, que as pessoas não têm mais vida real por causa do Facebook OU que as redes sociais são excelentes oportunidades de acompanharmos pessoas e veículos que nos agradam, que elas nos dão uma ótima oportunidade de divulgar nosso trabalho…

Os blogueiros e youtubers: você pode criticar os blogueiros que ganham dinheiro com seus blogs e canais dizendo que eles “se vendem”, que deveriam fazer seus textos e vídeos por amor e não “por dinheiro” (como se a partir do momento em que ganhassem dinheiro parassem de fazer seu trabalho com amor…) OU perceber que os blogs tornaram a informação muito mais acessível e democrática, que eles proporcionam acesso gratuito a muito conteúdo e que, se o blogueiro puder trabalhar exclusivamente com seu blog ele poderá se dedicar muito mais, estudar mais e trazer mais conteúdo gratuito e bem feito para você.

Pokémon Go e a nossa dificuldade em ver as coisas pelo lado positivo

O que tenho visto é que muitas pessoas (não todas, mas muitas) não perdem a oportunidade de atacar ou criticar algo, mas facilmente ignoram o lado positivo destas mesmas coisas. Não estou aqui dizendo que devemos ignorar o lado prejudicial de jogos, da internet e de outras coisas e situações da vida. É importante ter consciência de que podem ser prejudiciais. Mas é importante também perceber que tudo tem seu lado positivo, e que abrindo nossa visão para ambos os lados podemos fazer escolhas muito mais conscientes, sem perder oportunidades de descobrirmos coisas que podem ser muito úteis, nos trazer um pouquinho de diversão ou até transformar a nossa vida ou a vida de alguém.

Sei que o assunto é um pouco polêmico, por isso quero que vocês se sintam à vontade para dar suas opiniões nos comentários, de forma a gerarmos mais discussões interessantes sobre o assunto.

O que vocês pensam sobre esse assunto? Concordam? Discordam? Têm alguma experiência para compartilhar? Contem nos comentários!

Fotos: 123

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Postado por Stephanie Gomes

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11 Comentaram para “Pokémon GO e a nossa dificuldade em ver as coisas pelo lado positivo”


G
1. Alisson
16/08/2016 às 10:34

Ei Ste, tudo bem com você? Curto muito do seu estilo textual pois você gosta de brincar com esse paralelo de cotidiano e reflexão, e você faz isso de uma forma muito leve e bacana! Ainda não tive a oportunidade de jogar (continuo viajando e o Google Play parece que não gosta de pessoas que viajam haha) mas penso que o único objetivo do game é trazer um pouco de distração e nostalgia pra moçada da nossa geração, que acompanhou o desenho e os joguinhos do tema em nossa infância; nesta ótica, parece que ele obteve um grande sucesso! Como tudo nessa vida, o excesso e o descuido associados ao game podem ser prejudiciais, mas toda esta euforia de crítica e julgamento bombardeando os jogadores me parece infundamentada, resultado de um ódio tão difundido nas mídias sociais, que vitima não somente o jogo, mas absolutamente tudo que apresente um grande apelo popular. É no mínimo estranho ver tantas opiniões duras, formadas sobre algo tão leve, com o único objetivo prover a diversão; as vezes penso que ter uma opinião formada sobre tudo que nos permeia torna-se irrelevante e, neste contexto em especial, inteligente mesmo é quem joga e se diverte!!! Aproveitando o gancho de seu texto, gostaria muito de escutar sua opinião a respeito desta epidemia de ódio e aversão/desrespeito à ideias alheias espalhada no meio digital e como você acredita que isto pode influenciar nos hábitos reais e em nosso estado mental/espiritual. Abraços 🙂


G
2. Stephanie
30/08/2016 às 14:48

Oi Alisson!

Obrigada pelos elogios, fiquei muito feliz 😀

É exatamente isso que você falou… o objetivo do jogo é simples, mas nós temos essa mania de querer complicar e invalidar tudo, ao invés de ver as coisas pelo lado simples e positivo. E isso não é só com Pokémon GO, infelizmente.

Pretendo escrever sobre essa questão do ódio nas redes sociais, estou pensando em uma forma interessante e útil de abordar o assunto. Super obrigada pela sugestão!


G
3. MIRIAM MAYUMI HILAMATU
16/08/2016 às 14:38

Ótimo! É isso mesmo! Talvez seja muito mais fácil e cômodo julgar pelo negativo. As pessoas que o fazem se sentem ” superiores” pois já tem incutido dentro de si a “pessoa crítica” e negativa. Eu confesso que eu era assim também, mas depois que o meu filho nasceu eu passei a ver as coisas sob uma outra ótica. A mudança me fez perceber que a parte sentimental ( das emoções) era muito mais importante que o racional apenas. Foi às duras penas, mas percebi que estava errada. Agora eu participo do blog porquê sempre tem coisas legais que vc escreve e que nos fazem olhar as coisas sob diferentes ângulos.


G
4. Stephanie
30/08/2016 às 15:17

Falou tudo, Miriam! Eu também às vezes caio ainda nessa de olhar apenas pelo lado negativo, mas trazendo essa questão para a consciência estou aprendendo a procurar sempre os dois lados.

Obrigada por acrescentar seu comentário!

Beijos


G
5. Ina
17/08/2016 às 15:26

Oi Stephanie, o assunto é outro… vc já ouviu falar em Theta Healing? Eu tenho um pouco de receio com coisas desconhecidas por isso pergunto pra vc que é do bem…


G
6. Stephanie
30/08/2016 às 14:44

Ina, já ouvi falar no Theta Healing pela Gisella Valin, acompanho algumas páginas do Facebook sobre o assunto mas ainda não consegui me aprofundar no assunto… mas com certeza quando eu puder conhecer melhor, contarei tudo aqui no blog 🙂


G
7. Andressa
18/08/2016 às 15:14

Você só esquece que aqui é Brasil….as pessoas estão suscetíveis a assaltantes o tempo todo.


G
8. Stephanie
30/08/2016 às 14:42

Oi Andressa,

Sim, existe essa questão também e eu não esqueci disso, mas acabei não abordando esse lado pois não era o objetivo do texto.


G
9. Nana
20/08/2016 às 08:59

É mais fácil olhar o lado negativo, porque olhar o lado positivo requer análise e raciocínio e nossa geração tem preguiça de pensar.
Bj e fk c Deus
Nana
http://nanaeosamigosvirtuais.blogspot.com


G
10. Stephanie
30/08/2016 às 14:41

Exatamente, Nana, temos muita facilidade em ver o negativo, já o positivo precisamos de mais esforço, e nem sempre estamos dispostos a isso… mas acho que é questão de ter consciência disso para começarmos a mudar 🙂


G
11. Patricia Leardine
31/08/2016 às 10:51

Trabalho há um bom tempo numa escola de desenho, então acho super normal todas as idades interessadas por algum anime, quadrinho ou game. Sinceramente acho o Pokemon muito fofo e quem assistiu a primeira versão do anime deve lembrar de todas as lições infantis e doces sobre amizade, muito presente em outros animes também. É uma pena que seja também muito comum a “demonização” de personagens e histórias. E como você disse, também acontece em outros pontos pela vida. Vi pais mais “conectados” aos filhos por compartilharem o momento de “capturar pokemons”, e também vi praças mais vivas e cheias.
Acho que há algo muito errado quando as pessoas criam um consenso e se debruçam sobre a negatividade de uma novidade, sinto como se não estivessem observando e refletindo sobre o assunto, apenas repassando uma corrente de conspiração e medo. Fico feliz que muitas pessoas percebem a tecnologia como uma porta para conviver bem e buscar diversão, bem-estar, aprendizado e tantas outras coisas boas.



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