12.04.17 • Em Relacionamentos, Séries

13 Reasons Why, a série mais comentada das últimas semanas, merece o destaque que está recebendo. Os assuntos que ela aborda são delicados – adolescência, bullying, suicídio -, mas precisam ser expostos e discutidos.

O seriado conta a história de Hannah Baker, uma adolescente em idade escolar que se suicidou após uma série de episódios de bullying, humilhação e solidão. Hannah deixou uma caixa com 13 gravações em fitas explicando o que a levou a cometer suicídio. Cada fita conta como 13 pessoas tiveram participação no processo que a levou à morte.

Os primeiros episódios parecem um filme adolescente qualquer, mas ao finalizar a temporada você percebe que todo o desenvolvimento da história foi muito bem pensado. O assunto é complicado, triste e, infelizmente, real. O último episódio é muito chocante, difícil de assistir, mas necessário. Se eu tivesse que descrever a série em uma palavra, seria essa: necessária. Precisamos sim falar e refletir sobre relacionamentos, depressão, bullying e suicídio.

Eu fiquei realmente abalada com o último episódio da série. Fiquei inquieta, assustada, triste e não consegui dormir bem no dia. Acredito que seja esse mesmo o objetivo da série: nos desassossegar para que façamos reflexões importantes, como:

Como estou tratando as pessoas?

Como você trata seus pais? Como você trata seus avós? Como você trata seus irmãos? Como você trata seus colegas de classe? Como você trata seus colegas de trabalho? Como você trata as pessoas com quem convive mas não são tão próximas a você? Como você trata as pessoas que dividem o transporte público com você? Como você trata o atendente de telemarketing? Como você trata o garçom? Como você trata seus professores?

Assim como você, todas as pessoas têm feridas, dores, fraquezas e dificuldades. Todas as pessoas têm dias ótimos e péssimos. Algumas pessoas estão sofrendo profundamente todos os dias, e você nem sabe. Uma atitude de grosseria, menosprezo ou ofensa podem abrir ainda mais uma ferida já muito profunda e desencadear uma reação drástica. Pense nisso antes de maltratar alguém.

O que estou considerando normal no tratamento de outras pessoas – e não deveria?

Precisamos parar de achar que é normal causar dor uns nos outros. Precisamos parar de tratar ofensas como “brincadeiras”. Precisamos parar de nos calar diante de injustiças. Bullying não é normal. Assédio não é normal. Humilhação não é normal. Tratar alguém mal não é normal. Precisamos urgentemente parar de tratar atitudes absurdas como se fossem normais. Se cada um começar revendo as suas, será um ótimo começo.

Estou precisando de ajuda?

Você tem conseguido lidar com seus problemas e dores de uma forma equilibrada? Ou sente que suas emoções e ações estão fora de controle? O peso da sua dor está maior do que você aguenta carregar?

PEÇA AJUDA.

Não há nada de errado em pedir ajuda! Procure um profissional, seus pais ou alguém em quem possa confiar e peça! Sempre existe alguém que pode te ajudar, SEMPRE! E sempre existe um caminho para a solução. Se você não está conseguindo encontrar, outra pessoa pode te dar uma direção.

*O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e atende voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email, chat e Skype 24 horas todos os dias. Ligue 141 ou acesse o site.*

Alguém à minha volta pode estar precisando de ajuda?

As pessoas dão sinais. Uma mudança de comportamento, um comentário negativo, um post nas redes sociais, alterações significativas de humor, afastamento dos amigos…

Nem todo comentário negativo ou comportamento novo é sinal de algo grave acontecendo, mas nunca é demais mostrar que o outro pode contar com você. Nós precisamos começar a cuidar mais uns dos outros. Fique atento e ofereça ajuda.

Estou me calando quando deveria falar?

“O que me preocupa não é o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter e dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.” (Martin Luther King)

Clay, o personagem que recebe e escuta as fitas de Hannah durante todos os episódios, muitas vezes fica calado diante de injustiças. Apesar de não ser atribuída a ele uma grande culpa pelo suicídio de Hannah, fica claro que sua voz diante das injustiças que presenciou poderia ter mudado o desfecho da história.

A sua voz pode mudar o desfecho de grandes injustiças também. Por mais difícil que possa ser denunciar algo errado, não escolha se calar.

Não seja um porquê

Não seja um dos motivos que faz uma pessoa infeliz. Não seja um dos motivos que deixa uma pessoa pra baixo. Não seja um dos motivos para uma pessoa achar que o mundo é um lugar ruim. Não seja um dos motivos que faz uma pessoa se sentir inferior. Não seja um dos motivos para uma pessoa entrar em depressão.

Não seja um porquê.

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Postado por Stephanie Gomes

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9 Comentaram para “6 reflexões para fazer após assistir 13 Reasons Why (ou a qualquer momento)”


G
1. Brena
12/04/2017 às 11:03

Sigo seu blog já a algum tempo e gosto muito das postagens. Essa abordagem da série foi uma forma muito interessante de levar esses temas ao público e fazê-los perceber que tudo isso é real. Não é “frescurinha”. Mas infelizmente, nem todos pensam assim. Inclusive alguns voluntários do CVV. Algum tempo atrás, eu estava em uma crise interior, encontrava- me depressiva e angustiada, o tempo todo,causada por uma série de eventos ruins, e os procurei. Procurei por chat. Quem me atendeu, não ofereceu muito do que é proposto: respondia e comentava as coisas de maneira ríspida e, por vezes, sarcástica, além de conseguir me fazer sentir ainda pior naquele momento. Como que se quisesse me mostrar que eu devia ter feito algo muito ruim para ser tratada da forma que eu estava relatando, que merecia as agressões fossem elas verbais ou físicas. Hoje, depois de muita busca por autoconhecimento, estou, posso dizer, recuperada, de toda aquela angústia e tristeza. Às vezes acontecem coisas que me trazem uma pequena recaída, mas nada que seja impossível de controlar. Mas, desde então, fiquei um pouco cética com relação ao CVV. Sei que não devo generalizar, mas o atendimento que eu tive não foi de valorização. Foi quase um: Morra, se for capaz! Espero, sinceramente, que ninguém mais passe por isso. Eu gostaria até de ser voluntária, mas é necessário um curso e como sou do interior, não tenho acesso. E, com relação ao seu blog, sempre divulgo, pois acho muito bom. E sempre tem alguém que precisa, ainda que seja lendo, ter um direcionamento para sair do fundo. Obrigada!! ^^


G
2. Stephanie
12/04/2017 às 14:04

Brena, muito obrigada pelo seu comentário, acrescentou muito ao post.

Fiquei muito triste em saber o que aconteceu com você quando entrou em contato com o CVV, e espero de verdade que tenha sido uma exceção. Espero que com a série e toda divulgação que eles estão tendo nesse momento estejam se preocupando em fazer um trabalho responsável, pois é uma responsabilidade muito grande, uma questão muito séria e não pode ser tratada desta forma.

Por outro lado, fico feliz em saber da sua história de superação, porque mostra que é sim possível sair de uma situação difícil como essa e voltar a viver e ser feliz. Que isso inspire e motive outras pessoas 🙂


G
3. Andréa
12/04/2017 às 18:25

Oi Stephanie!
Infelizmente o episódio da Brena com o CVV não foi uma exceção. Eu também precisei recorrer ao CVV em um momento muito desesperador da minha vida e fui tratada com bastante indiferença, do tipo: se você quiser tirar a sua vida, ninguém vai te impedir.

Estava em um hotel no centro de Curitiba, sozinha e extremamente triste e decepcionada com a vida e foi a pior coisa que fiz ao ligar para o CVV. Sabe como fui “salva”? A camareira bateu na porta para me entregar toalhas limpas e percebeu a situação. Simplesmente me abraçou e disse: qualquer coisa que esteja sentindo, qualquer problema que esteja enfrentando, vai passar, espere pelo amanhecer, à luz do dia todas as dores e problemas ficam menores, espere pelo amanhecer.

Foi Deus que me mandou este anjo e sou grata a Deus e a este anjo por isso!!! Esta pessoa não foi uma das 13 Reasons Why, muito pelo contrário, foi a responsável por eu estar viva!!!


G
4. Stephanie
13/04/2017 às 16:30

Andréa, fiquei triste por você ter passado por isso, e mais triste ainda por saber que algo tão importante e grave tem sido tratado dessa forma. Você chegou a entrar em contato com eles depois para reportar o que aconteceu? Isso deveria ser denunciado, principalmente agora que eles estão em evidência. Só espero que com essa divulgação que estão tendo eles estejam se preocupando com isso, porque realmente é absurdo tratarem dessa maneira. Estão fazendo exatamente o contrário do que deveriam e isso pode causar consequências muito graves.

Que bom que essa pessoa apareceu para você nesse momento, com certeza foi um anjo enviado para você. Mas pensando nas pessoas que não conseguem ajuda, realmente fica ainda mais clara a necessidade de falarmos sobre esse assunto…


G
5. Simplicidade e Harmonia
13/04/2017 às 08:03

Stephanie,

Reflexões importantes. Acho até que a primeira “puxa” o desenvolvimento das outras, pois só através dessa percepção teremos empatia adequada para percebermos quais as necessidades dos que nos cercam.

Gostei da frase “O que me preocupa é o silêncio dos bons.” (Martin Luther King)
Infelizmente, parece que são poucos os que realmente agem de forma a fazer a diferença para o bem.

Abraços,


G
6. Viviane
13/04/2017 às 13:48

Amei o post!
Não assisti a série mas li o livro, realmente esse assunto deveria ser muito mais abordado, as pessoas não imaginam o quanto é difícil pedir ajuda, o medo de ser julgado, de ser mal interpretado, de ser ridicularizado pq a maioria acha que tudo é frescura, depressão é uma doença e enquanto as pessoas não entenderem isso não serão capazes de ajudar realmente!
Beijos Stephanie.


G
7. Stephanie
13/04/2017 às 16:35

Viviane, exatamente! Tenho visto algumas pessoas criticarem a série por ter exposto esse assunto, mas calar sobre ele não tem ajudado muito, não é verdade? Eu acredito no poder da comunicação para fazer mudanças positivas, então acho sim que devemos mostrar e falar sobre suicídio, depressão e outros “tabus”.

Beijos!


G
8. Andréa
20/04/2017 às 16:25

Oi Stephanie!

Não, eu infelizmente não entrei em contato para denunciar…
Esforcei-me para esquecer, tamanha foi a decepção. Agora só fico imaginando quantas pessoas passaram por isto e não tiveram a sorte de ter um anjo para salvá-las. Isto aconteceu em junho de 2000 e foi a primeira vez que falei sobre o assunto, por causa do post e o comentário da Brena.


G
9. Stephanie
21/04/2017 às 09:16

Entendo, Andréa… realmente, muito triste. Espero que isso tenha mudado e hoje estejam levando esse trabalho a sério… Obrigada por compartilhar <3



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