A modelo e professora de yoga Yara Amaryllis, de 62 anos, afirma que vive um relacionamento pleno com a própria sexualidade. Ela conta que, por volta dos 40 anos, após sair de um relacionamento tóxico, acreditou que o amor e o sexo não fariam mais parte do seu futuro. Yara chegou a pensar em se tornar monja. Foi durante a terapia que ela começou a se reconectar consigo mesma, por meio de rituais como se maquiar e usar roupas que a valorizam. Com o tempo, o desejo sexual voltou. Ela descobriu na dança do ventre um caminho para explorar o lado sensual e, aos 55 anos, passou a trabalhar como modelo, o que fortaleceu sua confiança. Yara afirma que a menopausa não impede a mulher de chegar ao orgasmo e que existem recursos para tratar sintomas como o ressecamento vaginal. Para ela, a libido precisa ser cultivada e não acaba com a idade.
Prestes a completar 50 anos de casamento, a palestrante Rosângela Marcondes, de 70 anos, vê a vida sexual como um espaço de acolhimento e cumplicidade. Ela diz que o desejo não tem hora marcada e que a frequência muda com o tempo, mas o prazer não some. Rosângela conta que pequenos rituais, como viajar e andar de mãos dadas, ajudam a manter a conexão do casal. Ela defende que cultivar a vida sexual passa por cuidar de si mesma e estar bem consigo para não aceitar qualquer situação por desespero.
A jornalista e escritora Mariza Tavares, autora do livro Sexo 60+: prazer sem data de validade, afirma que muitas mulheres chegam aos 60 ou 70 anos sem desconstruir crenças sobre desejo e envelhecimento. O livro é um guia com 60 verbetes sobre o tema. Mariza observa que, embora as mulheres falem abertamente sobre carreira e menopausa, o sexo ainda é um assunto guardado. Ela defende que a sexualidade só morre junto com a pessoa.
Dados do IBGE mostram que o Brasil tem mais de 35 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, a maioria mulheres. A especialista em Envelhecimento Saudável Maria Caroline Waldrigues afirma que a sociedade precisa ver a sexualidade como parte do envelhecimento saudável. Ela explica que o desejo não some por causa da idade, mas sim por causa da infantilização da pessoa idosa e do preconceito social. Segundo ela, o desejo pode se tornar mais responsivo, sendo despertado por estímulos como o toque e a intimidade, e o prazer continua acessível.
