A servidora pública Letícia Ferreira Camilo, de 28 anos, moradora de Florianópolis (SC), conviveu com candidíase por cinco anos até encontrar um tratamento adequado. Durante esse período, ela passou por cerca de 20 médicos e ouviu que deveria se acostumar com os sintomas.
O primeiro episódio da infecção ocorreu em 2020, quando ela se recuperava de uma cirurgia de prótese de silicone. Letícia começou a sentir coceira, ardência e corrimento. Inicialmente, tentou usar uma pomada com clotrimazol, comprada em farmácia.
Ao consultar a primeira ginecologista, recebeu o diagnóstico de candidíase. A infecção é causada pelo crescimento exagerado do fungo Candida na flora vaginal, segundo o ginecologista Alexandre Pupo Nogueira, médico associado à Febrasgo. Os sintomas incluem corrimento com aspecto de leite talhado, coceira intensa, vermelhidão, inchaço, ardência e dor ao urinar.
A primeira médica receitou fluconazol e outra pomada antifúngica, além de orientar a troca do sabonete íntimo por um produto manipulado. “Melhorava um pouco no início, mas os sintomas voltavam”, recorda Letícia. Ela permaneceu com essa especialista por seis meses.
Por indicação de uma amiga, Letícia procurou uma segunda ginecologista. A profissional solicitou exames para identificar o fungo e verificar infecções bacterianas. Foi diagnosticada vaginose bacteriana causada pela Gardnerella vaginalis. Ela iniciou tratamento com antibióticos e pomadas, mas não houve melhora. O corrimento passou a ter maior volume e pequenos grumos verdes.
Letícia trocou de médica novamente. A nova ginecologista indicou laser vaginal. Após o tratamento, o quadro piorou. “Exalava um cheiro forte, de peixe”, conta. A situação afetou o relacionamento conjugal e foi uma das causas da separação.
Em 2025, após cinco anos de busca, Letícia encontrou um tratamento efetivo. Nesse período, consultou cerca de 20 profissionais e tentou soluções caseiras, como cápsulas manipuladas de alho, orégano e cúrcuma. Ela também descobriu a relação da candidíase com o sistema gastrointestinal.
Letícia passou a ser acompanhada por gastroenterologista e nutricionista, além da ginecologista, após descobrir que tinha SIBO (supercrescimento bacteriano no intestino delgado) e intolerância à lactose. Mesmo com alimentação balanceada, a candidíase não melhorava. Alguns médicos disseram que ela deveria aprender a conviver com os sintomas. Ela também foi medicada com fluoxetina para ansiedade, mas o problema persistiu.
A solução veio com a microscopia vaginal, exame que analisa o material coletado periodicamente ao microscópio. Com uma ginecologista que realiza esse exame, Letícia notou melhora. Na quarta lâmina, a bactéria Gardnerella vaginalis foi eliminada, mas o fungo permaneceu. Na quinta análise, o tratamento incluiu medicação de manutenção e cápsulas de ácido bórico por 20 dias.
Cuidados íntimos como uso de sabonete com pH adequado, calcinhas de algodão passadas com ferro quente e coletor menstrual também ajudaram. Um exame de cultura com antibiograma revelou resistência do organismo a alguns medicamentos, explicando por que o fluconazol não funcionava.
Letícia publicou um vídeo nas redes sociais sobre sua história. Ela afirma: “Queria que as mulheres conhecessem meu relato e soubessem que existe solução”.

