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Brasileira cruza o Atlântico de veleiro: ‘Ondas enormes’

Reprodução/ Instagram

A brasileira Gabriela Waked, de 29 anos, concluiu a travessia do Oceano Atlântico em um veleiro de 12 metros ao lado da amiga norueguesa Mara Løvenskiold, de 35 anos. Durante a viagem, elas enfrentaram ondas de até sete metros e madrugadas de vigília.

“As pessoas perguntavam se eu tinha medo de tempestade, mas eu falava que estava mais preocupada com o tédio”, disse Gabriela em entrevista à Marie Claire. A carioca, que vive como nômade há mais de quatro anos, desembarcou no arquipélago dos Açores, em Portugal, após uma travessia sem escalas iniciada em St. Maarten, no Caribe.

A viagem aconteceu a convite da amiga, que se prepara para uma corrida solo de volta ao mundo e precisava completar mais de quatro mil milhas náuticas para se qualificar. Depois de cruzar sozinha o Atlântico entre Marrocos e Caribe, Løvenskiold convidou a brasileira para o retorno à Europa. “Ela falou: ‘Por que você não volta comigo? Você me faz companhia, a gente se diverte e você ainda me ajuda a produzir conteúdo'”, relembra Gabriela.

As duas se conheceram em 2024, durante um projeto de volta ao mundo em veleiro para pessoas sem experiência em navegação. Foi em um trajeto entre as ilhas Seychelles e a África do Sul que a brasileira aprendeu a velejar. Desde então, elas já navegaram pelo Caribe, Flórida, Noruega e agora enfrentaram o Atlântico.

Para a travessia, Gabriela não fez preparação específica, por já ter experiência com a amiga. “O que ela fala, eu entendo e consigo fazer as coisas tranquilamente”, afirma. Durante a noite, ela ficava de vigília até as duas da manhã, acordando de hora em hora para checar equipamentos e a rota.

O desgaste físico foi constante. “Qualquer coisa exige esforço. Você está sempre se equilibrando”, conta. O confinamento em espaço reduzido também foi um desafio. “Gosto de fazer exercício físico, de estar fazendo coisas diferentes. Ficar no mesmo cenário gera muito tédio”, diz.

Em um trecho da viagem, elas enfrentaram ondas de sete metros durante a madrugada e precisaram conduzir o barco manualmente. Na reta final, ventos contrários impediram o avanço para os Açores por três dias. “Entrava água de todo lado. Foi uma fase muito desconfortável e frustrante”, relembra.

Para enfrentar a monotonia, as duas improvisaram entretenimento no veleiro. Após dez dias no mar, quando o cansaço pesou, a amiga norueguesa mudou o clima. “Ela falou: ‘Então hoje vai ser o melhor dia da nossa vida’.” Elas fizeram panqueca, jogaram videogame e cantaram karaokê. Na véspera da chegada, Gabriela organizou uma surpresa de aniversário para Løvenskiold, com balões e panquecas de chocolate.

Sobre a experiência, Gabriela afirma que a travessia reforçou sua percepção sobre a força da natureza. “A natureza é gigante e a gente não é nada perto dela. Mas também percebi que somos capazes de enfrentar qualquer situação quando confiamos na nossa capacidade”, diz. De volta à terra firme, após uma semana de descanso na Itália, ela planeja seguir para os Balcãs, onde quer fazer a trilha dos Sete Picos, partindo da Albânia. “Estou aberta para o universo me mostrar para onde eu deveria ir”, finaliza.