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Chanel Beauty lança projeto de saúde mental para atletas

Divulgação/ Chanel Beauty

Durante muito tempo, beleza e esporte ocuparam lugares opostos no imaginário coletivo. Enquanto atletas eram incentivadas a demonstrar resistência e disciplina, o universo da beleza parecia reservado à feminilidade tradicional. É nesta encruzilhada que nasce o CC League, iniciativa de Chanel Beauty criada neste ano para apoiar mulheres atletas para além da competição.

O programa reúne sete esportistas de países como Coreia do Sul, França, México e Hong Kong em uma experiência de mentoria conduzida pela ex-jogadora da WNBA Renee Montgomery. Bicampeã de basquete e uma das primeiras ex-atletas a ocupar cargos de liderança dentro da liga norte-americana, ela conduz encontros sobre confiança, identidade, vulnerabilidade e autocuidado.

“Como atleta, não importava como eu aparecia”, conta a Marie Claire. “Você entra em quadra para jogar. Hoje eu amo ver essa evolução das atletas. Elas estão incríveis visualmente e continuam dominando o esporte. Conseguiram unir os dois mundos.” A relação de Montgomery com beleza começou tarde. Segundo ela, o interesse surgiu após a aposentadoria, quando passou a trabalhar na televisão esportiva e precisou se familiarizar com maquiagem, cabelo e imagem pública.

No CC League, essa conversa aparece conectada à saúde mental e à individualidade. Para a ex-atleta, um dos pontos mais importantes do projeto foi criar um espaço seguro para a vulnerabilidade. “Todas nós falamos a mesma língua”, diz sobre as participantes. “Não importa o país ou o esporte que pratica. Todas estamos sob o mesmo tipo de pressão e sentimos a mesma motivação. Queremos ser as melhores. Sabemos como isso é difícil e foi isso que nos conectou.”

Montgomery acredita que mulheres no esporte ainda convivem com expectativas contraditórias sobre força e feminilidade, mas vê uma transformação importante acontecendo na nova geração. “Agora as atletas podem se expressar da maneira que quiserem. Você pode ser forte, feminina ou as duas coisas ao mesmo tempo. Não existem mais regras para isso”, diz.

Ao longo da conversa, a ex-jogadora de 39 anos retorna à ideia de confiança, mas não necessariamente ligada à vitória. Para ela, um dos maiores desafios de jovens atletas é não atrelar autoestima ao desempenho esportivo. “Quando você não vai bem no esporte, sua confiança como ser humano pode cair junto”, explica. “Especialmente para mulheres atletas, existe um nível de ansiedade muito alto. Por isso é importante entender que seu valor não depende da sua performance.”

Para Montgomery, o impacto mais forte da experiência é a criação de uma rede afetiva entre mulheres que, antes do projeto, eram completas desconhecidas. “Agora eu acompanho a trajetória delas, vejo as competições, quero saber como estão”, conta. “Saí de lá com uma irmandade.” Hoje, sua definição de beleza passa longe de padrões. “Antes eu via beleza de uma forma muito específica. Hoje acredito que existe beleza na individualidade. E, nela, existe poder.”