Após ser demitida de um alto cargo em uma startup durante a pandemia, a carioca Manuela Nagib, de 25 anos na época, transformou a demissão em uma oportunidade para viajar o mundo. Ela conta que, desde cedo, seguiu a narrativa tradicional de buscar um bom emprego, casar e ter filhos, mas percebeu que essa fórmula não a trazia felicidade.
Formada em Relações Internacionais, Nagib já havia feito um intercâmbio de um ano na França durante a faculdade. Essa experiência a fez perceber que era possível ser livre e segura mesmo estando sozinha. Desde então, ela alimentava o sonho de largar tudo para viajar, mas sempre adiava o plano.
Com a demissão, ela decidiu comprar uma passagem só de ida para o Panamá. Ao contar para o pai, ele a incentivou, dizendo que ela estava fazendo o que ele sempre quis fazer, mas não teve coragem. Durante a viagem, Nagib percorreu 32 países, hospedando-se em locais onde podia trocar serviço por hospedagem e alimentação.
Ela documentou tudo em suas redes sociais com o objetivo de incentivar outras mulheres a viajarem sozinhas. Sobre os perigos, ela afirma que encontrou mais pessoas gentis do que hostis e que o assédio não é um problema exclusivo das viagens, mas da sociedade como um todo. Para se proteger, ela adotou estratégias como nunca dizer que estava sozinha e manter a localização compartilhada com a mãe.
Em 2024, Nagib fundou a “Bota pra Fora”, um ecossistema que oferece experiências de viagem para mulheres. A ideia surgiu após uma temporada na Índia, onde ela percebeu que queria vender mais do que visitas a pontos turísticos, mas sim experiências transformadoras. Atualmente, a empresa oferece viagens para Índia, Ceará, Lençóis Maranhenses, Egito e Amazônia.
Nagib destaca que o objetivo do negócio é servir de ponte para que outras mulheres realizem seus sonhos. Ela acredita que a coragem feminina é coletiva e que, ao ver uma mulher viajando sozinha, outras se sentem encorajadas a dar passos em direção aos seus próprios desejos. A empresária defende que viajar permite descobrir novos roteiros para a própria vida e questionar crenças impostas pela sociedade.
