domingo, abril 19

A engenheira Mariana Damazio, de 33 anos, recebeu o diagnóstico de câncer de mama metastático aos 29 anos. A carioca faz um movimento importante, inclusive em seu perfil no Instagram @curasdiarias, para lembrar outras mulheres de que é possível ter uma boa qualidade de vida mesmo com a doença.

Damazio relata que começou o rastreamento do câncer aos 23 anos, pois tias tiveram a doença. Ela mantinha uma rotina com alimentação saudável e prática regular de exercícios e é vegetariana há dez anos.

“Em 2020, por conta da pandemia, eu não fiz meus exames no meio do ano. Quando fiz, em dezembro, apareceram nódulos na minha mama esquerda, porém, sem características de câncer. Mesmo assim, minha médica achou cauteloso acompanhar de perto e pediu que eu repetisse em seis meses, e não em um ano”, conta.

Em junho de 2021, os nódulos da mama esquerda permaneciam iguais. Na mama direita, que não apresentava sinais antes, surgiu uma massa de cinco centímetros, altamente suspeita.

“Eu já saí da consulta com o encaminhamento para fazer uma biópsia. Segui o processo habitual, com a realização de exames mais detalhados, como nova ultrassonografia, ressonância, mamografia e, por fim, a biópsia. O teste confirmou o diagnóstico de câncer de mama aos meus recém-chegados 29 anos”, lembra.

A descoberta da metástase

Para iniciar a quimioterapia, foi necessário um exame chamado PET-CT, que avalia todo o corpo. O exame identificou um nódulo no fígado. Após biópsia, veio o diagnóstico de metástase hepática de origem mamária.

O câncer de mama metastático, ou estágio IV, ocorre quando as células do tumor original na mama se espalham para outras partes do corpo, como ossos, fígado, pulmões ou cérebro. “Isso não significa que o câncer ‘virou outro tipo’. Continua sendo de mama, em uma fase mais avançada. Hoje, contamos com tratamentos capazes de controlá-la por longos períodos, permitindo qualidade de vida”, explica a cirurgiã oncológica Ana Cristina da Silva do Amaral Herrera, professora da PUCPR, Campus Londrina.

A resposta de Damazio ao tratamento surpreendeu. Após seis ciclos de quimioterapia, ela entrou em remissão.

“Eu pude interromper a quimioterapia após oito sessões. Em dezembro de 2021, iniciei o tratamento de controle com duas medicações de bloqueio hormonal e uma terapia-alvo. No ano passado, completei quatro anos em remissão e, por isso, meu médico decidiu suspender uma das medicações. Parei um dos tratamentos não porque ele falhou, mas porque já não era mais necessário”, celebra.

Atualmente, seu tratamento consiste em uma medicação oral de bloqueio hormonal e aplicações de terapia-alvo a cada 21 dias.

Metástase não é sentença de morte

Herrera enfatiza que a descoberta de metástase é desafiadora, mas não representa uma sentença sem possibilidades. “Esse é um dos maiores equívocos. Mais importante do que pensar apenas em cura é entender que, hoje, muitas mulheres vivem com a doença de forma crônica, com boa qualidade de vida e acompanhamento contínuo. Cada caso é único”, reforça.

Damazio é um exemplo. “Sigo minha vida, lidando, sim, com sequelas e efeitos colaterais dos tratamentos, mas sempre buscando formas de ter mais qualidade de vida. Trabalho, viajo, malho, encontro meus amigos e sou muito grata à minha vida”, reflete.

A história de Damazio se conecta com a de outras mulheres que enfrentam diagnósticos similares. Recentemente, outras personalidades também compartilharam suas experiências com câncer metastático, destacando os desafios do tratamento, mas também a possibilidade de manter projetos e uma rotina ativa. O acompanhamento médico regular e os avanços nos tratamentos permitem que muitas pessoas gerenciem a doença como uma condição de longo prazo. A troca de experiências em redes sociais e grupos de apoio tem se mostrado um pilar importante para o bem-estar emocional dessas pacientes.