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Ex-namorado rasga medida protetiva e destrói casa de jovem

Reprodução/ Instagram

Uma semana após terminar um relacionamento de dois anos, a vida de Gabrielly Pereira, 23, mudou completamente. Sem aceitar o fim, o ex-namorado Paulo Henrique Santos, 22, passou a persegui-la por diferentes meios: invadiu sua casa, enviou ameaças de morte e destruiu o imóvel onde ela morava. Apesar dos boletins de ocorrência e de uma medida protetiva, a jovem conta que a perseguição continua.

“Eu vivo com medo. Não posso ficar na minha casa em segurança com o meu filho, mas também não posso parar minha vida porque ele depende de mim”, relata, em entrevista à Marie Claire.

A jovem, de Taubaté (SP), afirma que o ex-namorado não apresentava comportamentos agressivos durante o relacionamento. A separação ocorreu após ela descobrir traições que aconteciam desde os primeiros meses. Na época, Pereira estava grávida do segundo filho do casal – o primeiro bebê morreu ainda na gestação. “Como eu tinha uma gravidez de risco, acabava perdoando [as traições]. Mas coloquei um ponto final quando meu filho já tinha nascido”, conta.

Embora tenha aparentado aceitar o término, ocorrido no início deste ano, o ex-companheiro invadiu a casa dela pela primeira vez cerca de uma semana depois. “Ele me ligou por videochamada dizendo que, se eu não mostrasse que estava em um motel com outro homem, iria quebrar minha casa inteira. Quando percebi, ele já tinha entrado lá”, lembra.

Após o episódio, Pereira conseguiu uma medida protetiva em março, mas a decisão judicial não impediu novas invasões e ameaças. “Ele mandou uma foto para minha mãe rasgando a medida protetiva. Depois disso, continuou invadindo minha casa. E toda vez que eu registrava ocorrência, nada acontecia.”

Além das invasões, Pereira relata ameaças de morte por mensagens e transferências via Pix. Em uma delas, o ex teria dito que a esperaria para “enchê-la de bala” na saída do condomínio onde a mãe dela mora. “Ele mandava foto de munição, dizia que não tinha nada a perder, que eu conheceria o verdadeiro lado dele.”

Dois boletins de ocorrência foram registrados. Em um, de maio, ela denuncia o descumprimento da medida protetiva e danos ao imóvel. Em outro, de junho, constam as ameaças de morte via Pix. Atualmente desempregada, a jovem afirma que o ex também a ameaçou em um local de trabalho.

No início deste mês, Pereira encontrou a casa destruída após mais uma invasão. Ela acionou a Polícia Militar antes de entrar. “Foram os policiais que entraram primeiro. Quando saíram, disseram que ele não estava mais lá, mas que tinha quebrado tudo dentro da casa. Quando entrei e vi o estrago, só consegui chorar”, lembra.

As imagens viralizaram com mais de um milhão de visualizações, mas o caso segue sem respostas das autoridades. Após a divulgação, ela recebeu novas ameaças e teve fotos íntimas enviadas a outras pessoas. “É uma tentativa de me intimidar o tempo todo”, lamenta.

Pereira se mudou com o filho e conta com o apoio da mãe. Ela espera que sua história chame atenção para falhas na proteção a mulheres que denunciam violência. “Não deveriam esperar um feminicídio para agir. Ele ameaça a minha vida, ameaça a vida do filho dele. Isso já é uma tentativa de feminicídio”, observa.

A advogada Maíra Recchia, presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB de São Paulo, destaca que a Lei Maria da Penha é avançada, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir segurança às vítimas. Ela avalia que o sistema é “extremamente falho” e cita obstáculos como o funcionamento limitado de delegacias e a falta de monitoramento dos agressores. “Existe também uma camada desses agressores que contam com a impunidade”, afirma.

Para casos de ameaças, a orientação do Governo Federal inclui acionar a Polícia Militar pelo 190, registrar boletim de ocorrência, solicitar medida protetiva e guardar provas. Se a medida for descumprida, a vítima deve registrar novo boletim e informar as autoridades. O descumprimento pode gerar pena de reclusão de 2 a 5 anos. Também é possível ligar para o Ligue 180, que funciona 24 horas.