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Influenciadora relata queda de 70% na renda com body positivity

Reprodução/Instagram

O movimento body positivity, que teve seu auge em 2018 com a presença de corpos diversos em campanhas publicitárias, enfrenta um recuo nos últimos três anos. Influenciadoras que construíram carreiras defendendo a diversidade corporal relatam uma queda expressiva no faturamento e no interesse das marcas.

Juliana Santana, 33, conhecida pelo perfil @baddiesantana, viu o número de trabalhos publicitários cair drasticamente. Com mais de 90 mil seguidores, ela passou de cinco contratos mensais para um ou nenhum. “Não consigo mais viver apenas da renda do mercado de influência, tenho outro trabalho”, conta.

Situação semelhante foi vivida por Raissa Galvão, 30, do perfil @rayneon. Mesmo com mais de 300 mil seguidores, seu faturamento com publicidade caiu 70%. “Em 2018, vivemos um momento que realmente deu esperança. Agora, essas discussões praticamente sumiram. Hoje, tudo de que as pessoas falam é sobre emagrecimento”, afirma.

Em contrapartida, ambas relatam que têm recebido propostas de marcas que vendem tratamentos para perda de peso. Juliana chegou a receber ofertas em torno de R$ 20 mil, o triplo do que fatura atualmente, mas recusou. “Não vale a minha carreira”, diz. Para Raissa, o tema é inegociável. “Não vou lucrar em cima da insegurança de mulheres. O movimento body positivity não é sobre ser gordo. É sobre entender o quanto esse tipo de incentivo pode ser cruel para as mulheres”, declara.

O movimento, que não se restringe a pessoas gordas, também envolve a população LGBTQIA+, pessoas com deficiência e indivíduos de diferentes etnias e idades. “Quando uma pessoa gorda usa um cropped, isso é político. Se eu falo sobre uma viagem, é uma mulher gorda viajando”, diz Raissa.

A magreza extrema está de volta

Em 2022, o retorno da estética Y2K, inspirada nos anos 2000, trouxe de volta o ideal de silhuetas esbeltas e barrigas chapadas. A guinada em direção à magreza excessiva fez com que algumas influenciadoras mudassem de posicionamento. Alexandra Gurgel, do perfil “Alexandrismos” e ex-militante do movimento Corpo Livre, afirmou em entrevista que “sempre quis emagrecer” e que passou a falar sobre autoaceitação porque as marcas ofereciam “muito dinheiro” para isso.

Juliana Santana ressalta que não há problema em querer perder peso, mas sim em associar o emagrecimento à felicidade. “É esvaziar o discurso anterior e transformar o emagrecimento em sinônimo de sucesso, conquista e felicidade. E não é assim. Existem pessoas magras que também são tristes”, afirma.

O ciclo do retrocesso

Para a maquiadora e modelo plus size Bia Gremion, 29, o culto à magreza voltou no mesmo momento em que ocorre um levante da extrema-direita no mundo. “Assim como outros movimentos e pautas sociais têm suas estruturas abaladas, todos sofremos retrocessos quando essas movimentações acontecem. Se você não sentiu e faz parte de algum recorte social, pode ter certeza de que será o próximo”, afirma.

Raissa lembra que, no livro O Mito da Beleza, Naomi Wolf fala sobre como momentos repressivos fazem as mulheres ficarem mais focadas no próprio corpo. “Eles não querem mulheres fortes, querem mulheres magras. Isso faz com que elas deixem de discutir questões importantes porque estão preocupadas em pesar 50 quilos”, diz.

Para Bia, é preciso promover debates e posicionamentos mais sólidos para que a diversidade de corpos não seja apenas uma tendência. “A pauta da diversidade em todos os âmbitos é urgente porque vemos a precarização de políticas sociais e o enfraquecimento das pautas. Todos que fazem parte de uma minoria eventualmente sofrem quando essas mudanças começam. O compromisso com tudo isso sempre será humano”, pontua.

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