Uma passageira de carona por aplicativo relatou os momentos de tensão que viveu após o veículo em que viajava, de Curitiba para São Paulo, ser abordado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). A jovem, identificada como Isabela Modanez, contou que a ação terminou com a descoberta de um suposto esquema de tráfico de Mounjaro envolvendo o casal que ofertou o transporte.
Segundo o relato, Modanez precisava chegar até Registro, município paulista, e estava em Curitiba. Ela acionou o aplicativo BlaBlaCar, que costumava usar, e o casal estava indo de Curitiba para São Paulo. Eles disseram que estavam deixando o filho em Curitiba, mas estavam voltando do Paraguai.
A abordagem ocorreu em Cajati. Ela acordou com o casal dentro do carro pedindo para que os passageiros dissessem que eram amigos voltando de uma festa. Os policiais vasculharam o veículo e encontraram canetas de Mounjaro e uma receita que, segundo ela, aparentava ser falsificada. Todos foram levados para uma delegacia em Barra do Turvo, a cerca de duas horas do local da abordagem.
Na delegacia, ela perdeu o dia e ficou cinco horas esperando para saber o que aconteceria. A situação foi esclarecida com a ajuda de outro passageiro, que era policial. Ele a viu chegando ao ponto de encontro, em um posto de combustíveis em Curitiba, e percebeu que ela era apenas uma usuária da carona.
Quando foram parados, o policial explicou que as duas meninas estavam com o casal e que eles eram os responsáveis. Por causa disso, ela e a amiga não tiveram os pertences revistados e não foram interrogadas no local. A amiga precisou prestar depoimento na delegacia.
A polícia apreendeu as canetas de Mounjaro e o carro do casal investigado. Modanez disse que um amigo dirigiu por três horas para buscá-la. Ela afirmou que a polícia diz que isso acontece muito e que, até a pessoa provar que o material não é seu e que estava apenas de carona, o processo não é simples e é burocrático.
A jovem aconselhou outras pessoas a registrarem detalhes das viagens, gravarem e tirarem fotos. Ela afirmou que nunca imaginou passar por algo parecido, especialmente porque o motorista tinha mais de trezentas avaliações positivas no aplicativo. Ela disse que hoje não usa mais aplicativo de carona, preferindo viajar de ônibus ou alugar um carro.
A reportagem da Marie Claire tentou contato com a BlaBlaCar para solicitar um posicionamento sobre o caso e questionar as medidas de segurança e suporte oferecidas aos passageiros. Até o momento da publicação, não houve retorno. O texto será atualizado caso respondam.
