Pular para o conteúdo
Notícias

Maior podcaster do Brasil divide lucros e dá casa a funcionários

Divulgação

A caminhada de Déia Freitas até se tornar a maior podcaster do Brasil começou em Santo André, no ABC paulista. Filha única, ela perdeu o pai aos 12 anos e a mãe aos 16. Desde cedo, aprendeu que tudo pode escapar das próprias mãos. As dificuldades, no entanto, não a paralisaram, mas geraram um ímpeto criativo.

Neste ano, veio a consagração: o podcast ‘Não Inviabilize’, um ecossistema de contação de histórias, recebeu o prêmio APCA de melhor podcast, da Associação Paulista de Críticos de Arte. A produção foi a única brasileira entre os 20 podcasts mais ouvidos do mundo no Spotify. “Quando recebi a notícia do prêmio, não acreditei. É um prêmio que respeito muito. Fiquei feliz ao saber que gente qualificada parou para ouvir”, disse ela a Marie Claire.

Nas redes sociais, Déia construiu uma relação direta com os ouvintes. Ela diz que se esforça para manter a própria autonomia. “Não me coloquei no lugar de criadora e deixei meu público no lugar de fãs. Não me deixo desumanizar. Falo que errei, mas também dou bronca quando estão me pressionando”, brinca. Ela lembra que, ao presentear 5 mil assinantes com um brinde, teve dificuldades para enviar os presentes e precisou se desculpar. “Fui sincera. Tão sincera que apareceu uma empresa que custeou o envio.”

Formada em Psicologia, Déia diz que a formação a ajuda a manter distanciamento das histórias que recebe. “Tenho ferramentas para separar as histórias da minha vida. A gente recebe muitas histórias tristes.” Ela separa as quartas-feiras para ler e filtrar os e-mails. As histórias publicáveis vão para a equipe de redatoras, mas a palavra final é dela.

Escala 4×3 e casa própria

A primeira renda com o podcast veio de um financiamento coletivo. Déia separou uma parte para despesas pessoais e começou a dividir o restante igualmente com a equipe. Quando o negócio cresceu, contratou os funcionários pela CLT. O dinheiro continuou entrando e ela propôs uma mudança: trabalhar quatro dias por semana, em vez de cinco. “Venho do varejo, trabalhava em shopping. Sei o que é trabalhar de segunda a segunda”, contou. “Conseguimos trabalhar 32 horas por semana sem cair o rendimento.” A decisão gerou críticas no mercado, com comentários duvidando que a ideia daria certo.

No último ano, Déia criou a Construpônei, uma pequena construtora para erguer prédios para sua família e funcionários. “Como vou chegar na equipe e falar ‘comprei uma casa’ e seguir todo mundo morando de aluguel? É errado”, avalia. Ela abriu um CNPJ para legalizar o projeto. “Hoje, somos seis funcionários e três deles já têm casa própria. A única regra é que você ganha a casa depois de dois anos de trabalho.” Déia diz que, depois da família e dos funcionários, quer investir em casas populares para pessoas de baixa renda. “Ainda estou vendo como fazer, mas é um desejo meu.”