terça-feira, abril 14

A série Euphoria retornou ao ar neste domingo, 12, sendo descrita como descaracterizada e mais vulgar do que em temporadas anteriores. A produção, que aborda as agruras da adolescência, agora assume um tom de faroeste com observações consideradas rasas sobre narcotráfico, prostituição e o sonho americano.

A volta marca o retorno de uma das séries mais influentes dos últimos sete anos, uma produção turbulenta que lançou apenas 18 episódios nesse período. Euphoria é responsável por levar vários de seus atores ao estrelato mundial, venceu nove estatuetas do Emmy e inspirou milhões de adolescentes. No entanto, distancia-se do modelo de sucesso de outras produções longevas do canal HBO.

O primeiro episódio da nova temporada é marcado por perdas no elenco e na equipe, uma direção descaracterizada e reviravoltas consideradas bagunçadas e apelativas. A trama se passa cinco anos após os eventos do final da temporada anterior, exibida em fevereiro de 2022.

Iniciando a vida adulta, a personagem Rue, interpretada por Zendaya, ainda lida com o vício. Ela se tornou uma mula de drogas entre os Estados Unidos e o México para pagar uma dívida antiga. A nova temporada abandona a história de amadurecimento para se tornar um faroeste sobre como ganhar dinheiro nos Estados Unidos.

Enquanto a protagonista navega pelo universo do narcotráfico, Cassie, vivida por Sydney Sweeney, planeja começar uma carreira na plataforma OnlyFans. A motivação não seria o desespero, mas o desejo por atenção e por bens caros em seu casamento com Nate, papel de Jacob Elordi.

Nate, por sua vez, tenta conter as vontades da noiva com pouco sucesso, enquanto assume os negócios imobiliários do pai. Outros personagens seguem caminhos mais tradicionais: Lexi, interpretada por Maude Apatow, tenta brilhar como assistente de direção em Hollywood, e Maddy, papel de Alexa Demie, trabalha com relações públicas.

A personagem Jules, vivida por Hunter Schafer, é a outra ex-adolescente em cena. Ela espera o ponto de virada de sua carreira artística e, para se sustentar até lá, atende às vontades de um homem mais velho, sendo fartamente recompensada.

Os elementos centrais da trama continuam sendo dinheiro, drogas, aparências e sexo, similares à primeira temporada. No entanto, a magia presente nos episódios originais, visível nos visuais, nas circunstâncias exageradas ou em planos especiais, parece ter desaparecido.

Na nova fase, os personagens não ocupam mais o mesmo universo coeso de antes. O escopo da série parece difuso e dá a impressão de continuar por obrigação, não como uma decisão criativa. Onde havia encantamento, agora prevalece uma vulgaridade considerada pouco surpreendente.

Cenas com nudez, escatologia e violência teriam pouco estofo emocional, falhando em provocar a reação que o diretor e roteirista Sam Levinson claramente buscaria. As personagens careceriam da humanidade presente em episódios considerados pontos altos da série anterior.

O que resta na tela, conforme a crítica, seriam gângsteres e prostitutas sob o sol da Califórnia, ligados por ponderações rasas sobre fé e capitalismo. A avaliação final compara a nova temporada a uma missão ruim do jogo GTA.

A produção segue sendo um assunto cultural relevante, com debates sobre sua evolução e o impacto de suas narrativas. A discussão sobre os limites da representação do consumo de drogas e da sexualidade na televisão também é reacendida com o retorno da série. Especialistas em mídia frequentemente analisam como séries populares moldam a percepção de temas complexos entre o público jovem.