Os sapatos jelly, com efeito e textura de plástico, foram criados na década de 1940, junto com a criação do PVC. Eles ganharam o mundo nos anos 1980, inspirados nas sandálias fisherman dos pescadores da Riviera Francesa, e viraram febre no início dos anos 2000. Antes, o item ocupava o imaginário coletivo atrelado a cenários praianos e memórias da infância, como a boneca Polly Pocket. Agora, o material retorna como recurso estético para experimentar formas, transparências e um certo estranhamento visual.
A virada começou quando a etiqueta nova-iorquina The Row apresentou, na coleção de verão 2024, suas sapatilhas jelly vazadas em tons translúcidos. O modelo se tornou objeto de desejo entre fashionistas e ajudou a deslocar o plástico para uma estética mais refinada. Jennifer Lawrence, uma das maiores adeptas da marca, passou a usar os modelos de PVC com jeans retos, alfaiataria e peças minimalistas.
Desde então, a textura emborrachada passou a fazer parte do repertório de grandes grifes, como a francesa Chloé. A diretora criativa da grife, Chemena Kamali, criou sua própria versão para o verão 2026: mules apelidados de “glass slippers”, em referência aos sapatinhos de cristal da Cinderela. O modelo é peep toe, com efeito franzido e transparência colorida, e já conquistou nomes como a atriz Tessa Thompson.
Na Loewe, a transparência aparece de forma surrealista. Os sapatos transparentes apresentados no verão 2026 foram combinados a meias coloridas, formando um visual futurista. Em outra releitura, as marcas Monse e Sperry se juntaram para reinterpretar o boat shoe clássico, enquanto a carioca Farm Rio apostou no material para seus novos tamancos e bolsas com espírito lúdico.
Parte da força desse novo momento dos sapatos jelly também passa pela Melissa. A marca brasileira, que há décadas trabalha o plástico como assinatura estética, vive um momento de legitimidade internacional. Depois de colaborações com Jean Paul Gaultier, Marc Jacobs e Telfar, as recentes parcerias com a dinamarquesa Ganni e a Diesel reforçam a entrada definitiva da peça no closet da mulher urbana contemporânea. A segunda coleção cocriada pelas etiquetas acaba de ser lançada globalmente.
