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Última usuária de ‘pulmão de aço’ morre nos EUA aos 78 anos

Capital Public Radio/GoFundMe

A última sobrevivente de poliomielite nos Estados Unidos, Martha Ann Lillard, morreu devido a defeitos em um “pulmão de aço”, máquina de auxílio respiratório mecânico na qual passou a vida inteira para sobreviver. A notícia foi confirmada nesta sexta-feira (10), mas a paciente faleceu no dia 26 de junho, aos 78 anos, em decorrência de complicações médicas e falhas no equipamento.

Martha contraiu a doença em 1953, aos cinco anos de idade. Dois anos depois, uma vacina salvou a vida de milhares de crianças nos Estados Unidos. Ela foi submetida ao tratamento com o “pulmão de aço” após o diagnóstico e passou a vida dependendo do mecanismo. Criada nos anos 40, a máquina é um ventilador mecânico para o corpo.

Nos primeiros seis meses, Martha passava 23 horas por dia dentro da estrutura. As sessões foram reduzidas ao longo dos anos. Em casa, ela tinha seu próprio equipamento e realizou sessões diárias do tratamento por 73 anos.

Nos últimos anos, a paciente vivia com apenas 25% da capacidade pulmonar, um caso grave de escoliose e o braço direito paralisado, sequelas da poliomielite. Apesar das dificuldades, ela gostava de criar poemas, músicas e pintar, conforme revelou seu memorial no site GoFundMe. Martha também dedicou parte da vida aos cuidados com animais, especialmente cachorros abandonados.

Em determinado momento, ela usava a máquina apenas para dormir. No entanto, após contrair Covid-19 em duas ocasiões, passou a viver 24 horas confinada. A causa da morte foi determinada como consequência das sequelas da doença e da “síndrome pós-pólio”. Junto com os problemas de saúde, surgiram defeitos na máquina, considerada antiga demais em comparação aos novos tratamentos. Segundo a irmã de Martha, Cindy McVey, o aparelho necessitava de um motor reserva, mas não havia profissionais que fizessem o serviço.

O que é a poliomielite

Segundo o Ministério da Saúde, a poliomielite, também chamada de “paralisia infantil”, é uma doença contagiosa causada por um vírus que pode infectar crianças e adultos. O contágio acontece por meio das fezes e de secreções da boca de pessoas doentes. Os casos graves acometem os músculos, causando deficiência nos membros, especialmente os inferiores. Desde 1990, a doença está erradicada no Brasil, graças às campanhas de vacinação em crianças.