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Aftercare: cuidado pós-sexo evita ressaca emocional

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A cena clássica de cinema em que as pessoas se vestem às pressas e vão embora depois do sexo pode funcionar na ficção, mas na vida real esse comportamento pode gerar sensações ruins. Após o sexo, especialmente quando há muita entrega, vulnerabilidade ou a prática de fetiches, o corpo pode precisar de um tempo para se recuperar. É nesse contexto que surge o aftercare, termo em inglês que significa “cuidado posterior”. Trata-se de um tempo de qualidade pós-sexo que pode tornar as sensações e lembranças mais agradáveis.

O termo aftercare se originou no universo BDSM como uma forma de garantir que todos os envolvidos se sintam bem e cuidados após experiências intensas, que podem envolver limites físicos e emocionais, como práticas de dominação, submissão e outros fetiches. A ideia é reforçar o respeito, o consentimento e a responsabilidade afetiva.

Na prática, o aftercare consiste em uma série de cuidados para que a pessoa se sinta segura e relaxada depois do sexo. Isso vai além de um simples carinho ou de ficar de conchinha. O parceiro pode oferecer água, preparar comida, sugerir um banho quente, fazer uma massagem, conversar sobre o que cada um gostou ou não na transa, ou simplesmente respeitar o silêncio de quem precisa de um tempo.

O aftercare também pode ser aplicado no sexo casual. Ele ajuda a quebrar a ideia de que, para ser casual, o sexo precisa ser frio. Demonstrar cuidado após a transa não é automaticamente uma promessa de romance, mas uma forma de mostrar que você gosta da companhia da pessoa e a respeita, mesmo que nunca mais se vejam. Com uma comunicação clara sobre limites e expectativas, o aftercare no sexo casual não precisa transformar o encontro em um namoro.

Uma relação fria e sem troca após uma transa pode mudar a forma como a experiência é lembrada, podendo causar sensações de descarte, vazio ou desconforto. Essa vulnerabilidade ajuda a entender a “ressaca emocional” após o sexo, conhecida como disforia pós-coito. Um estudo publicado em 2024 no Journal of Sex & Marital Therapy investigou a disforia pós-coito em diferentes contextos sexuais. Com 156 participantes adultos, a pesquisa mostrou que, entre as mulheres, o desconforto emocional após o sexo apareceu em 11,4% dentro de um relacionamento sério, 77% depois do sexo casual e 51,4% depois da masturbação.

Para aderir ao aftercare, é importante lembrar que as necessidades mudam de pessoa para pessoa. O mais importante é conversar para entender o que funciona melhor para cada parceria. Perguntas como “quer pedir uma comida?”, “quer ficar um pouco mais aqui?” ou “precisa de um banho?” podem ajudar o cuidado a acontecer de forma natural. A ideia é verificar a integridade física e emocional da parceria e entender o que ela precisa naquele momento para se reconectar depois do sexo.

Embora tenha surgido na comunidade BDSM, o aftercare também faz sentido em dinâmicas mais “baunilha”, ou seja, sem a prática de fetiches. Independentemente do tipo de sexo, existe um corpo que pode precisar de carinho, espaço, conversa ou apenas alguns minutos para respirar antes de vestir a roupa e ir para casa.