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Bella Longuinho: ‘Não precisa ter pavor do seu passado

Reprodução/ Divulgação

Bella Longuinho, influenciadora digital, falou sobre as críticas que recebeu da comunidade trans após iniciar sua transição de gênero no final de 2024. Em entrevista à Marie Claire, ela afirmou que muitos desconfiaram que o processo era uma estratégia para ganhar seguidores. “O tempo me inocentou”, disse. Para ela, a decisão foi sobre ser verdadeira, e não sobre gerar likes.

Antes de se tornar influenciadora, Longuinho estudava Direito em Santa Rita do Sapucaí, em Minas Gerais. Durante a pandemia, começou a gravar vídeos para as redes sociais e o sucesso foi tanto que ela trancou a faculdade para viver da internet. A transição de gênero veio depois, como uma “revolução interna”. Ela conta que demorou a se entender como mulher, diferentemente de outras pessoas trans. “Eu até gostava muito de ser quem eu era antes, era super feliz”, afirmou.

A influenciadora disse que o acompanhamento psicológico a ajudou a lembrar de situações da infância e a perceber que estava vivendo como o personagem que criou para a internet. “Era como se tivesse um vácuo dentro de mim”, relatou. Ela acredita que não respeitou a própria identidade por um “instinto de sobrevivência”, já que era julgada pela família quando demonstrava feminilidade.

Ao contar para a família, Bella teve medo da rejeição. A mãe ligou “desesperada”, com medo de que fosse “uma loucura”. No entanto, ela teve apoio instantâneo. O receio também envolvia o público da internet e a possibilidade de perder trabalhos. “Não podia deixar de viver por conta do meu trabalho”, reforçou.

Parte da comunidade trans criticou a forma como Bella expôs a transição, acusando-a de banalizar o processo. Ela entende as críticas e disse que “chocou um pouco”. “A minha transição foi muito diferente de todas, mas não tem uma regra de como você deve transicionar”, argumentou. Ela também se sentiu “decepcionada” com a falta de apoio. “Quem devia estar me abraçando, não abraçou”, comentou.

Bella defende que sua luta é mostrar que a transição pode ser leve. “Você não precisa ter ódio e pavor do seu passado”, afirmou. Ela compartilha fotos de “antes e depois”, o que gera polêmica, já que muitas pessoas trans preferem não divulgar imagens de suas identidades anteriores. “Fico tão feliz por eu ter sido feliz antes também”, justificou.