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B-Beauty: o que define a beleza brasileira que conquista o mundo

Mixologist — Foto: Reprodução/Divulgação

O Brasil está em evidência nas redes sociais com a estética “Brazil Core”, que reúne imagens, moda, música e códigos visuais ligados ao imaginário cultural do país. Na beleza, isso se traduz em cabelos com textura natural, pele iluminada, corpo bronzeado e fragrâncias solares, elementos que agora são consumidos globalmente.

Reduzir a beleza brasileira a uma estética de verão, no entanto, seria simplificar um fenômeno mais complexo. Por trás da viralização, existe um mercado consolidado, uma relação histórica com o corpo e uma indústria que desenvolve produtos para uma população diversa.

A dermatologista Glauce Eiko explica que a variedade de climas, tipos de cabelo e fototipos no país, do 1 ao 6, faz com que as necessidades de cuidado mudem de pessoa para pessoa. Isso exige fórmulas adaptadas a diferentes realidades.

Essa característica ajuda a explicar por que a B-Beauty vai além de uma tendência estética. Envolve performance, sensorialidade, versatilidade e conexão com ingredientes naturais e a biodiversidade local.

“Existe, sim, uma forma brasileira de enxergar beleza, mas ela não cabe em um único estereótipo”, afirma Bruna Tavares, empresária e fundadora da linha de maquiagens que leva seu nome. “O que a define é essa liberdade.”

Para Iza Dezon, CEO da consultoria Dezon, a beleza brasileira projetada no exterior ainda está associada a uma ideia de tropicalidade sofisticada. Ela cita marcas como Natura e Granado como exemplos de expansão internacional.

Ao comparar a B-Beauty com a K-beauty, Dezon aponta uma diferença: o apoio governamental e a estratégia de soft power da Coreia do Sul. Enquanto a K-beauty exportou uma ideia de ritual e tecnologia, a beleza brasileira constrói sua identidade a partir do cabelo, corpo, sensorialidade e biodiversidade.

Dados da Euromonitor International mostram que o mercado brasileiro de beleza movimentou cerca de R$ 173 bilhões em 2024, um crescimento de 10,3% em relação ao ano anterior. O Brasil ocupa o quarto lugar global em lançamentos de produtos de beleza, segundo a Abihpec. No ano passado, o setor ultrapassou US$ 1 bilhão em exportações, chegando a quase 200 países.

A categoria de cuidados capilares teve alta de 14,1%, reforçando o cabelo como uma das maiores expertises da indústria nacional. “O Brasil exporta desejo acima de tudo”, analisa Dezon. Marcas como Skala e Truss são exemplos de sucesso internacional no setor.

No skincare, o café aparece como um dos símbolos da beleza brasileira contemporânea, segundo a farmacêutica Maria Eugenia Ayres. Outros ingredientes como açaí, cupuaçu, andiroba e castanha-do-pará também são usados em fórmulas nacionais.

Uma nova geração de marcas brasileiras começa a conquistar espaço. A Mixologist, lançada em dezembro de 2025, combina perfumaria com mixologia. A Juvia, de outubro de 2025, une ativos da biodiversidade brasileira com biotecnologia. A Leoni Beauty, de junho de 2025, é uma linha de maquiagens da influenciadora Giullia Marchetti Borges. A Theoric, de março de 2026, aposta em haircare futurista. A Bond Rio, de janeiro de 2026, é voltada para a Geração Z. A Verse Skincare, de agosto de 2025, foca em mulheres acima dos 40 anos. A Souu, de dezembro de 2024, oferece skincare de alta performance. A AMIÙR, de outubro de 2025, foi criada pela cantora Amora. A OEJE, de junho de 2025, combina ciência e ativos naturais em cuidados capilares e corporais.