As canetas emagrecedoras, nome popular dos medicamentos análogos de GLP-1, são aprovadas para tratar obesidade, sobrepeso com comorbidades e diabetes tipo 2. Uma nova pesquisa indica que a semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, pode desacelerar o processo de envelhecimento biológico.
O estudo utilizou dados de uma pesquisa anterior que testou a semaglutida em 108 adultos com HIV que tinham acúmulo de gordura na região abdominal. Metade dos participantes recebeu o medicamento e a outra metade, placebo. A escolha por pessoas com HIV se deve ao fato de que, mesmo com o vírus controlado por antirretrovirais, essa população tende a apresentar envelhecimento biológico acelerado, com inflamação persistente e disfunção metabólica.
Os cientistas coletaram sangue dos participantes no início do estudo e novamente após sete meses e meio. Nas amostras, mediram marcas químicas no DNA que se acumulam com a idade e funcionam como um relógio biológico. Os resultados mostraram que quem tomou semaglutida envelheceu mais devagar do que quem tomou placebo. Em uma das medidas, o ritmo de envelhecimento foi 9% mais lento no grupo que usou o medicamento. Os dados foram publicados em maio na revista científica Nature Communications.
O efeito pode ir além da perda de peso. Michael Corley, autor principal do estudo e professor associado de medicina na UC San Diego, nos EUA, afirmou que evidências recentes indicam que os medicamentos à base de GLP-1 podem reprogramar certas células em diferentes órgãos. Isso pode explicar por que os efeitos são observados em diversos marcadores biológicos do envelhecimento.
O pesquisador, no entanto, pede cautela. “Não estamos dizendo que a semaglutida reverte o envelhecimento ou torna as pessoas mais jovens”, disse Corley. “O que observamos é um indício de que ela pode desacelerar alguns processos biológicos associados ao envelhecimento. Com o surgimento de novas terapias baseadas em GLP-1, a área pode investigar se diferentes medicamentos dessa classe exercem efeitos distintos sobre a biologia do envelhecimento e identificar quais pacientes podem se beneficiar mais.”
