Verônica Pimentel, de 29 anos, é a fundadora e CEO mais jovem de uma gestora de recursos no Brasil, a Oryx Capital. Em entrevista à Marie Claire, ela relatou os bastidores do mercado financeiro e os obstáculos que enfrenta por ser mulher em um ambiente dominado por homens.
Nascida em Limeira, no interior de São Paulo, em uma família de classe média baixa, Verônica se mudou para a capital aos 16 anos. Ela é caçula de três irmãs e foi criada pela mãe, técnica de enfermagem. Desde a infância, conviveu com a dependência química de uma das irmãs. A economista também revelou que as três irmãs sofreram abusos do avô materno quando moravam com ele. Ela buscou terapia aos 14 anos para lidar com a situação.
Formada em Economia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, ela ingressou no mercado financeiro durante a graduação. Em 2022, participou do Programa de Desenvolvimento de Liderança da Harvard Business School, onde estruturou o projeto de sua empresa, que conecta investidores locais a ativos internacionais.
Verônica afirmou que, para fechar negócios, às vezes precisa levar um homem às reuniões. Segundo ela, o cliente sente mais confiança para investir o dinheiro na presença de um colega homem. “É bizarro, mas é uma discussão frequente que tenho com o time”, disse. Ela contou que, quando vai sozinha, o cliente pode tentar uma aproximação não profissional ou não a enxergar como alguém experiente por ser uma mulher jovem.
A CEO disse que desenvolveu um “exercício constante de diplomacia” para lidar com o machismo corporativo. Ela evita salto alto, prefere blazers fechados e esconde as tatuagens dos braços durante apresentações. “Já tem um monte de fator para a pessoa ficar com o pé atrás por eu ser mulher, e há quem ache que tatuagem não é profissional”, explicou.
Segundo um levantamento de 2025 da Anbima, as mulheres representam 35,4% dos profissionais do mercado financeiro e ocupam apenas 5,4% das posições de liderança máxima. Verônica destacou a dificuldade de recrutar mulheres para cargos seniores, criando um ciclo que se retroalimenta. “Quando aparece uma mulher, muitas vezes ela não tem a experiência de que eu preciso. E por que ela não tem? Porque provavelmente enfrentou barreiras antes”, afirmou.
