quarta-feira, abril 1

A deputada federal Duda Salabert oficializou sua saída do PDT para se filiar ao PSOL. Ela descreveu o movimento como um retorno às origens.

Duda Salabert havia deixado o PSOL em 2019, por divergências internas, e ingressado no PDT. Por essa legenda, foi eleita vereadora em Belo Horizonte e, depois, deputada federal por Minas Gerais. Agora, ela afirma buscar um projeto de esquerda mais amplo e sem amarras a agendas sem sentido.

A saída do PDT foi negociada e não envolveu disputa judicial. A parlamentar disse que o partido hoje é outro e que ela também é outra. Ela agradeceu ao PDT pelo período de filiação.

A presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, afirmou que a volta da deputada tem caráter estratégico. Segundo ela, a entrada de Duda fortalece a pauta ambiental do partido e ajuda a ampliar a coesão ideológica para as próximas eleições.

Com a filiação, o PSOL recupera uma de suas principais lideranças em Minas Gerais. Em 2018, ainda pelo partido, Duda foi candidata ao Senado e recebeu 351.874 votos. Essa foi a maior votação do PSOL no estado naquele ano. Ela não se elegeu, mas ganhou projeção nacional por ter sido a primeira pessoa transgênero a disputar o cargo.

No PDT, ela se consolidou como uma das principais puxadoras de votos. Em 2020, foi eleita a vereadora mais votada da história de Belo Horizonte, com 37.613 votos. Em 2022, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados com 208.332 votos, a terceira maior votação de Minas Gerais na ocasião.

A mudança de partido ocorre em um contexto de reorganização das forças de esquerda para o ciclo eleitoral que se aproxima. A volta de uma parlamentar com expressão eleitoral como Duda Salabert é vista como um movimento que pode alterar a dinâmica política em Minas Gerais.

Especialistas em ciência política observam que migrações partidárias são comuns, especialmente em períodos pré-eleitorais. A justificativa de buscar um projeto sem amarras reflete um desejo por maior liberdade de atuação parlamentar, algo frequentemente citado por políticos que trocam de sigla.

A trajetória política de Duda Salabert continua a ser acompanhada de perto, dada sua capacidade eleitoral e seu papel como uma das principais vozes da comunidade LGBTQIAP+ no Congresso Nacional. Sua atuação no PSOL deverá focar nas pautas ambientais e de direitos humanos, bandeiras históricas do partido.