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Jovem desenvolve catarata aos 16 anos após suspender insulina para emagrecer

Arquivo pessoal

A criadora de conteúdo e estudante de farmácia Giovanna Mosca, de 19 anos, convive com o diabetes tipo 1. Hoje, ela tem uma boa relação com a doença, mas nem sempre foi assim. Em uma conversa com a Marie Claire, ela conta como desenvolveu um transtorno alimentar que a fazia deixar de aplicar insulina para emagrecer e as complicações que teve devido a isso.

Era 2020 quando Mosca apresentou os primeiros sinais de diabetes. A mãe da jovem percebeu que ela perdeu peso repentinamente, cerca de 15 quilos em um curto espaço de tempo. Até então, a criadora de conteúdo não via o que estava acontecendo como um problema, até que passou a ter muita vontade de urinar. “Às vezes, a ponto de não conseguir segurar”, lembra.

Ao procurar ajuda médica, a resposta que ouvia era sempre a mesma: os sintomas eram de ansiedade, já que era o período da pandemia da COVID-19. Mosca continuou urinando excessivamente e emagrecendo, sem suporte médico. “Perdi tanta gordura corporal que fiquei sem menstruar”, relata.

O endocrinologista Renato Zilli, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e do corpo clínico do Hospital Sírio Libanês, explica que a perda de peso devido ao diabetes acontece porque, sem a insulina, a glicose não entra na célula. “O organismo passa a consumir gordura e músculos como fonte de energia, além de perder glicose pela urina, levando à perda de peso e risco de cetoacidose diabética”, completa.

Quem pediu o primeiro exame de sangue foi sua ginecologista. A glicose da jovem, em jejum, estava 498, indicando o quadro de diabetes. Embora houvesse indicação para que Mosca passasse com um endocrinologista, ela só conseguiu marcar uma consulta pelo convênio um mês depois do diagnóstico. Durante esse intervalo, a jovem tentou fazer uma dieta condizente com o diabetes tipo 1, mas esse tipo da doença exige aplicação de insulina. Um dia, a criadora de conteúdo começou a vomitar e foi levada ao hospital. A glicose acusou mais de 350. “Foi assim que eu fiquei internada por cetoacidose por negligência do meu convênio”, desabafa. No hospital, ela aprendeu a medir a glicose e a aplicar a insulina.

A criadora de conteúdo começou a pesquisar sobre diabetes e decidiu estudar enfermagem. “O diabetes mudou minha vida, mas não da forma que as pessoas pensam. Ele me fez descobrir quem eu realmente sou”, reflete.

Apesar da jornada de autodescoberta, Mosca também enfrentou momentos desafiadores. A jovem ouviu de um médico que, se quisesse emagrecer — mesmo estando com um peso saudável —, poderia parar de aplicar a insulina. “A partir disso, passei a enxergar meu corpo de uma forma diferente. Comecei a colocar, às vezes, um pouco menos de insulina ou não tomar antes das refeições”, relata.

Foi assim que Mosca desenvolveu diabulimia. “É um transtorno alimentar em que pessoas com diabetes tipo 1 reduzem ou deixam de usar insulina para emagrecer. É uma condição grave, com alto risco de complicações e morte”, explica Zilli. “Foram meses descompensados, fugindo de exames, porque eu sabia o que estava fazendo de errado. Mas é um transtorno psicológico”, reflete.

A descompensação da glicose fez com que, aos 16 anos, a criadora de conteúdo desenvolvesse catarata — o que a fez operar os dois olhos aos 17. Foi ao perceber as consequências do transtorno alimentar que Mosca começou a mudar. Hoje, ela aplica a insulina como deve ser e tem uma vida mais saudável. “Hoje, estou na melhor fase da minha vida graças a Deus, ao tratamento e muita terapia”, celebra.