Receitas, práticas de preparo, instrumentos, dicas e o humor típico de Lucas Corazza estão no primeiro livro do chef confeiteiro — Eu pagaria por esse doce! — que já é objeto de desejo para quem sabe que um doce faz a festa.
A frase que dá título ao livro é o bordão do chef sempre que experimenta um doce. Não poderia ser mais acertada, porque o confeiteiro é professor, comunicador e formador de novos profissionais na cozinha doce. Ele é referência e inspiração.
O livro reproduz essa vibração: da capa colorida com um Lucas pendurado no batedor entre quindim, brigadeiro e uma fatia gigante de bolo, até as páginas com frases de sua própria voz lançadas em destaque. O conteúdo atrai, diverte e ensina.
Lucas conta no livro sua história na confeitaria e no mundo. Tudo começou quando, ainda pequeno, organizava as próprias festas de aniversário, enquanto zapeava programas de receitas na TV e folheava livros encantado pelas artes dos doces. Já era um artista — comunicativo, irreverente. Seu estilo pessoal e suas obras em confeitaria têm cor, design, referências e história. É interessante conhecer seus rascunhos de criação: ele mesmo desenha bolos e doces antes de prepará-los.
Eu pagaria por esse doce! apresenta receitas divididas em oito capítulos temáticos: “Receber é um prazer”, “Sabores de lá na mesa de cá”, “Festa de aniversário” (sua especialidade), “Café da manhã e chá da tarde”, “Sobremesas com frutas”, “Para presentear ou faça e venda” (seção para empreendedores dos doces), e as finais “Doce não é remédio, mas vovó diria que cura…” e “Quando tudo o que você precisa é chocolate”. O cacau brasileiro de origem é objeto de paixão, estudo e bandeira no trabalho dele.
Antes de chegar às receitas, Lucas apresenta a mise en place do confeiteiro, ensinando como organizar a área de trabalho. Em outro capítulo, discorre sobre o “deus” chocolate. Em “Ingredientes e noções básicas”, ele explica a Santíssima Trindade da confeitaria — açúcar, ovo e trigo —, dá dicas, comenta erros comuns e deixa uma frase sobre a baunilha: “Aonde a gema vai, a baunilha vai atrás”.
Nas páginas, receitas como o Pacumê, que não é só “pavê”, são apaixonantes. Um bolo de abacaxi com coco, nos moldes criativos de Lucas, tem o abacaxi confitado, o bolo amanteigado e o coco em forma de beijinho dourado. Brigadeiros não podem faltar para ele, e a receita do brigadeiro de caramelo com sucrilhos caramelizados é um destaque. Há também o de chocolate meio-amargo com laranja e um bolo de merengue com cacau e ganache de chocolate.
Clássicos como pudim de leite e caramelo, quindim e bolo de coco gelado não faltam, todos detalhados nos ingredientes e no modo de preparo. Segredos de família também aparecem, como o Bolo rústico da minha mãe.
São 224 páginas para descobrir, guiados pela experiência, bom-humor e didática do chef. Assim como ele faz na TV, nas aulas, nas redes sociais, entre amigos e, em breve, em uma loja própria aberta ao público. Até lá, é possível aprender e saborear as receitas e as tiradas desse confeiteiro na sua primeira produção escrita.
De Santos para o mundo
Bia Salles faz do seu Garni um laboratório criativo de pães, massas e doces. De Santos para o mundo, ela transforma o espaço em um lugar de experimentação com receitas que misturam tradição e inovação. O Garni se destaca pela produção artesanal e pela busca constante por sabores e técnicas novas.

