Jackelline Lopes, mãe de Kethlen Romeu, publicou nesta segunda-feira (8) um desabafo nas redes sociais. Há cinco anos, a modelo e designer de interiores morreu aos 24 anos. Em 8 de junho de 2021, ela foi atingida por um tiro de fuzil no tórax durante uma operação da Polícia Militar no Complexo do Lins. Ela estava grávida.
“Hoje, logo eu, a rainha da escrita, das belas palavras, do luto poético, que ama tudo intensamente e quando odeia, é na mesma proporção, farei talvez uma escrita sucinta, porque estou apática, vazia, com dores ‘sem motivos’ por todo corpo, me sentindo um lixo, me sentindo um nada, com lágrimas escoando de tempo em tempo, com o peito apertado, ansiedades, sem saber pra onde ir, sem saber o que fazer. Aliás, nada que faça muda o cenário!”, começou ela.
A mãe da modelo disse que ainda espera justiça. “Sigo sabendo de tudo que aconteceu, não acreditando em nada e muito menos aceitando! Só sigo! Seguindo a vida, os ventos que nos direcionam e acima de tudo movida a amor. Pelo seu amor! O maior, o melhor, o infinito, aquela que ‘chega a doer’! Sigo num modo automático organizando missa e tudo mais que tem que ser feito por você, mas viro a cara para o real motivo dessas movimentações. Dormi me esgoelando, gritando pela casa que quero vocês! No mesmo instante pedi a Deus pra tirar, porque já não a suporto mais. Veio um filme atormentador da notícia, de como te vi no hospital e da última vez que pude te tocar! Precisei me medicar pra suportar o hoje e conseguir estar aqui, mais uma vez te honrando!”, declarou ela.
A mãe da jovem, que se tornou ativista contra a violência policial, refletiu sobre o momento que vive. “Não sabia que a dor me traria um dom, mas tudo que vem de você, não importa como, é bonito, encantador e perfeito. Falar de você será sempre um prazer, mesmo com a alma sangrando, porque você é maior que toda dor que eu possa sentir! Você é vida, é movimento, e legado, é amor, resistência. Você é o amor da minha vida todinha aqui ou em qualquer outra que possa existir! Certamente existe! Seria um grande desperdício de Deus fazer uma obra tão linda e completa e acabar com ela tão precocemente! Se tem algo que acredito nessa bagunça do cacete que se tornou minha vida, é que vocês VIVEM e que iremos nos reencontrar”, insistiu ela.
Ao final, ela disse que segue esperando que a lei seja cumprida. “Ouvi que mesmo triste eu estava bonita. Não tive dúvidas que é sua luz me resplandecendo! Hoje, completam 5 anos sem vocês e sem o mínimo de reparação social que dão o nome de justiça! Triste, abatida, cansada, mas jamais desistirei de honrá-los! Justiça ao máximo rigor da lei é o que irei buscar até o fim. Sigam na luz e nos iluminando”.
Também nesta segunda-feira (8), uma missa será realizada em homenagem à Kethlen Romeu. Ela será realizada às 19h, na Paróquia Santa Bernadete, na Av. dos Democráticos, 896, Higienópolis.
Os policiais militares Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano serão levados a júri popular pela morte da modelo. O julgamento ainda não foi marcado. Em março, a 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou três policiais militares por fraudar a cena da morte: Rodrigo Correia de Frias, Marcos Felipe da Silva Salviano e Rafael Chaves de Oliveira. Todos responderam por inovar artificiosamente o estado de lugar, crime previsto no artigo 23 da Lei de Abuso de Autoridade.
