A psicanalista e colunista de Marie Claire, Maria Homem, lança o livro “Procura-se: Uma nova liderança para um novo tempo” (Editora Record). A obra discute como o papel do líder precisa se adaptar diante das transformações sociais atuais. Segundo a autora, a função da liderança continua necessária mesmo em tempos de organogramas mais horizontais e processos igualitários.
O livro não se limita ao mundo corporativo. Maria Homem aponta que a liderança é necessária em várias áreas, como na coordenação da rotina familiar, no cargo de síndico e na atuação de professores em sala de aula. A obra não segue o formato de um manual com respostas prontas. Em vez disso, a autora recorre a ideias de Darwin, Marx e Freud para explicar as dinâmicas da liderança ao longo da história.
Maria Homem parte das pinturas rupestres de Lascaux, produzidas há mais de 17 mil anos, para mostrar como o ser humano produziu sentido diante do caos. “Aquelas mulheres e aqueles homens, diante de um mundo radicalmente hostil, marcado pela imprevisibilidade da natureza, não se limitaram a sobreviver biologicamente. Eles produziram sentido”, diz a autora.
O texto aborda a modernidade racional e o presente fragmentado. A obra mostra que o líder nunca foi um herói solitário, mas alguém que negocia, escuta e percebe com empatia. Paula Harraca, CEO da Ânima Educação, escreve no prefácio que a autoridade tradicional já não é aceita sem questionamento. Ela também destaca que a tecnologia amplia a capacidade de agir sobre o mundo, trazendo novas responsabilidades e riscos.
Maria Homem reconhece as dificuldades de quem busca sentido em meio a tantas mudanças. “Exige-se escuta, mas o tempo para escutar é mínimo, e a qualidade dessa escuta, quase inoperante. Pede-se empatia, mas as metas seguem inegociáveis”, analisa. Para ela, é preciso reconhecer a complexidade do momento histórico, com a coexistência de diferentes gerações no mesmo ambiente de trabalho.
A autora não oferece soluções prontas, mas aponta caminhos. Ela afirma que o novo modo de liderar deve reconhecer a instabilidade como parte do tempo atual e, ainda assim, criar orientação, sentido e responsabilidade coletiva. A mensagem é que o desafio não é eliminar o caos, mas inscrever nele algum sentido comum, como fizeram os humanos nas cavernas de Lascaux.
