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Orgasmo simultâneo: é possível gozar junto? Mulheres contam

Getty Images

O orgasmo simultâneo, conhecido como “gozar junto”, é uma das idealizações mais comuns no imaginário sexual. A imagem de duas pessoas chegando ao ápice do prazer ao mesmo tempo, com gemidos e respiração ofegante, é um clássico. Mas, na vida real, essa sincronia nem sempre acontece com naturalidade, especialmente em relações heterossexuais, onde o homem geralmente chega ao orgasmo antes da mulher.

Para entender como isso pode acontecer, a reportagem ouviu a sexóloga Chris Marcello. Segundo ela, o orgasmo simultâneo não é um mito, mas também não deve ser tratado como regra. “A sincronização de orgasmos é mais rara porque os tempos de excitação e os estímulos necessários variam muito de pessoa para pessoa”, explica.

Fatores como falar sobre o que dá prazer, saber o que acelera ou desacelera a excitação e conhecer os estímulos que funcionam melhor podem ajudar o casal. Para quem quer experimentar, Marcello sugere prestar atenção à respiração e aos sinais de excitação do parceiro, além de estar totalmente presente na transa. “O segredo está em conduzir o outro ao seu prazer e, ao mesmo tempo, perceber o prazer do outro”, diz.

Para casais heterossexuais, combinar penetração com toques ou o uso de um vibrador pode ajudar. Já entre mulheres, vale explorar diferentes formas de estímulo mútuo, como sexo oral, carícias com as mãos ou vibradores, sempre ajustando o ritmo.

Marcello alerta que o orgasmo simultâneo não deve ser visto como o único sinal de sintonia sexual. “A verdadeira conexão está na capacidade de se comunicar, respeitar o processo e celebrar o prazer do outro. O orgasmo é apenas uma parte da experiência sexual”, afirma. Ela recomenda tratar o orgasmo simultâneo como um bônus, não um objetivo.

Relatos de mulheres que viveram a experiência

Liana, produtora de 29 anos, achava que “gozar junto” era balela até transar com um homem que sabia o que estava fazendo. “Quando gozamos juntos, eu estava por cima. Foi tão sincronizado e real que nós dois gememos juntos. Foi uma das experiências mais marcantes que já tive”, conta. Para ela, o que contribuiu foi já ter gozado no começo da transa, o que a deixou mais entregue.

Goddess Lohan, dominatrix de 35 anos, diz que ama a experiência. “Gera uma conexão sexual prazerosa e compartilhada, como se os dois estivessem na mesma intensidade.” Ela afirma que sentir a intensidade do outro e ajustar os estímulos ajuda muito.

Tana, analista ambiental de 52 anos, só viveu o orgasmo simultâneo depois de meses de casamento, em uma noite em que o marido a pegou de quatro e massageou seu clitóris durante a penetração. “Foi aí que descobrimos que essa é a nossa posição preferida”, diz.

Ana Paula Oliveira, analista de cx de 35 anos, conta que a conexão começa antes da cama, com a intimidade construída com um ficante. “Ele sabe exatamente quais posições e toques são sensíveis para mim, e eu também sei o que funciona para ele.”

Silvia Silveira, assessora de mídias sociais de 45 anos, descreve uma experiência em que estava por cima e segurou o próprio prazer para sincronizar com o parceiro. “A sensação foi surreal. Parecia que os dois corpos tinham entrado no mesmo ritmo.” Para ela, o orgasmo simultâneo dificilmente acontece por acaso e exige percepção do tempo do outro.

Charlotte Dominatrix, social media e praticante de tantra de 39 anos, diz que, como é casada e pratica tantra com o marido, desenvolveu a percepção do corpo e do ritmo um do outro. Ela ressalta que o orgasmo sincronizado não é uma regra, nem uma medida de qualidade da conexão entre duas pessoas. “O mais importante é existir troca, respeito, desejo e sintonia real entre o casal.”