Há mais de um ano, a pesquisadora americana Emily Kate Genatowski, de 34 anos, vive com um robô humanoide. O equipamento, chamado Unitree G1 Edu-2, mede 132 centímetros, pesa 60 quilos e possui sistema de visão tridimensional e inteligência artificial generativa. O objetivo dela é estudar os desafios da integração dessas máquinas no dia a dia das pessoas.
Emily é doutoranda em Humanidades Digitais na Universidade de Viena e tem formação por Harvard e Columbia. Ela decidiu comprar o robô após entrar em contato com a fabricante chinesa. “Eles nunca tinham testado o robô em uma casa ou comunidade. Percebi as lacunas nas pesquisas e senti que precisava preenchê-las pessoalmente”, disse.
O robô custou 60 mil euros (cerca de R$ 358 mil). Emily usa um método imersivo de pesquisa, ou seja, convive com ele para entender problemas reais que não aparecem em laboratório. “Quero entender qual será o impacto quando eles entrarem em nossas casas e o que precisamos fazer para nos preparar”, afirmou.
Nos primeiros dias, o robô quebrou xícaras e vasos por causa de movimentos desajeitados. “Aprendi que robôs podem causar danos, mas não podem assumir a responsabilidade por eles”, contou. Ela realizou vários experimentos, como fazê-lo passear com o cachorro, comprar flores e até trabalhar como garçom em um café para debater a perda de empregos.
Emily nunca deixa o robô sozinho, pois nem todo mundo se sente confortável com ele por perto. “Cada experimento aborda uma questão social, econômica ou jurídica”, explicou. O humanoide não ajuda em tarefas domésticas, como cozinhar ou limpar, mas a pesquisa busca preparar as comunidades antes que essas habilidades estejam prontas.
A pesquisadora defende a criação de regras para o uso de robôs. “Precisamos de documentos de identidade, registro, seguro e responsabilidade civil”, disse. Ela citou exemplos: quando tentou estender o seguro para o robô, o corretor achou que era brincadeira. Levá-lo de táxi também foi complicado, porque ele viaja dobrado em uma caixa de madeira.
Emily acredita que os robôs podem ser úteis para liberar as mulheres do trabalho doméstico e ajudar a população idosa. “A tecnologia ainda precisa melhorar muito”, ponderou. Sobre o futuro, ela afirmou que o impacto depende das decisões que forem tomadas agora. “Mesmo que escolhamos não ter robôs em casa, eles vão influenciar o mercado de trabalho, a privacidade e as interações sociais.”
Emocionalmente, Emily diz que o robô, chamado carinhosamente de Tova, não expressa emoções. A memória dele é limitada por leis de proteção de dados da União Europeia. “Ele me oferece a oportunidade de me conectar com outras pessoas. Estudo as expressões e preocupações de quem o vê. Muitos o admiram; outros, não”, concluiu.
