Priscilla Alcantara não se lembra de uma vida sem câmeras. Ela começou a trabalhar aos 7 anos e, desde então, passou por diferentes áreas do entretenimento, como apresentadora, cantora, atriz e teatro musical. Ao longo de duas décadas, aprendeu a conviver com uma profissão em que o trabalho e a imagem pessoal se misturam. Agora, aos 30 anos, ela diz estar menos preocupada em atender às expectativas externas e mais interessada em descobrir o que quer fazer sem pressões. É nesse contexto que nasce ECO, seu primeiro álbum independente.
Para Priscilla, a palavra “independente” vai além da ausência de uma gravadora. A mudança também é interna. Depois de lidar com as pressões dos trabalhos anteriores, ela quis fazer um disco sem definir antes qual resultado precisaria alcançar para ser considerado um sucesso. “O meu ‘eu’ artista sempre entrou em conflito com o jogo da indústria. Você tem que ter maturidade para poder jogar porque, no fim das contas, você é um produto e vai ter que tratar sua arte também como um produto”, disse em entrevista à Marie Claire.
ECO surgiu da vontade de ir além de números e visualizações. “Preciso de um lugar de liberdade, sentir como é fazer arte sem a expectativa de ter ‘x’ streaming nas 24 horas para ver se eu recebo investimento. Agora, só quero a oportunidade de espalhar o meu talento através da música e não esperar que as pessoas gostem”, afirmou.
A liberdade, porém, não significa falta de responsabilidade. Priscilla reconhece que música também é trabalho, que há contas a pagar e que um projeto precisa se sustentar. A diferença está em não deixar que essas necessidades sejam o ponto de partida de cada decisão artística. “Na carreira independente, tudo parte de você, a não ser que você consiga um investidor também por fora. Então tem que ter muito planejamento. Em qualquer nível que você esteja, ser um artista independente é muito complexo”, explicou.
Hoje, ela também administra o próprio escritório, paga as pessoas que trabalham com ela e custeia as parcerias. “Tudo tem que ser muito planejado e também exige muita noção. Faça o que dá para ser feito. Não dá para viajar na maionese e viver loucamente as suas aventuras artísticas. Tem que ser tudo muito racional”, completou.
Sobre a produção de ECO, Priscilla disse que o disco não foi difícil de ser criado porque não precisou se encaixar em um grande conceito. “Esse álbum foi fácil porque ele foi a minha zona de conforto. Eu amo todos os meus trabalhos, mas eles sempre foram carregados de um grande conceito que sustentasse a música. Esse não teve absolutamente nada disso. O conceito é a música sustentando ela mesma”, contou.
A parte mais difícil foi manter essa mentalidade depois de 20 anos de indústria. “É difícil você atualizar a sua mente depois de 20 anos de indústria, que é o meu caso. Então foi um trabalho mental diário. Toda vez que eu entrava no estúdio, eu lembrava o porquê que eu estava fazendo isso”, recordou.
A recepção do público ainda preocupa, mas Priscilla tenta criar uma distância maior entre a crítica e a própria percepção sobre o trabalho. No projeto anterior, ela acompanhava de perto o que era dito sobre sua música. “No meu último álbum, fiquei muito pressionada em saber o que as pessoas estavam falando, de bem ou de mal. Tudo me atingia de uma forma forte e era levado muito em consideração. Eu não quero isso. Eu quero me proteger dessa pressão e continuar acreditando naquilo que eu fiz”, admitiu.
Ela não pretende ignorar completamente o que vem de fora. Por enquanto, prefere ficar próxima dos fãs e dividir com eles a experiência do lançamento de forma pessoal. De tempos em tempos, ainda procura saber o que está sendo comentado, porque entende que, como profissional, precisa estar aberta a retornos úteis.
A construção de ECO não aconteceu de forma isolada. André Laudz, marido de Priscilla, participou da produção musical, enquanto ela assumiu a produção vocal. O álbum levou três anos para ficar pronto, em parte porque os dois não quiseram transformar o processo criativo em uma corrida contra o tempo. “A gente não queria fazer na pressa, queríamos que fosse coeso, tinha que fazer sentido para a minha voz, encontrar as músicas que foram feitas para a minha voz. Então, demorou muito e eu respeitei muito o tempo criativo do André”, lembrou.
O disco não tem participações especiais. Priscilla chegou a considerar colaborações, mas duas artistas que foram procuradas demonstraram interesse e os encontros não avançaram. Ela entendeu aquilo como um sinal de que o trabalho deveria permanecer mais íntimo. “Eu falei: não, realmente essa é para ser uma história muito íntima, só entre eu e minha voz”.
ECO já está disponível nas plataformas digitais.
