domingo, abril 12

Vanessa Crippa, de 34 anos, tem chamado atenção nas redes sociais ao exibir o cotidiano como uma WAG, termo usado por fãs de futebol para namoradas e mulheres de atletas. A expressão, um acrônimo em inglês para Wives and Girlfriends, costuma se referir a quem mostra um estilo de vida luxuoso, com viagens e ostentação. Mas esse não é exatamente o caso da brasileira.

Casada com o jogador camaronês Patrick Soko, atacante do Almería, da Espanha, ela faz sucesso com vídeos do dia a dia ao lado do marido. “No começo, eu não queria aceitar esse título de WAG, porque sempre fui muito independente. Depois, fui me acostumando com a ideia, além de usar o termo para engajar. Como WAG, tento mostrar que nós somos muito mais do que pensam”, contou a modelo à Marie Claire.

Natural de Curitiba (PR), Crippa tem 34 anos. Hoje, o casal tem uma vida confortável na Espanha, mas nem sempre foi assim. Ela ganhou seguidores ao exibir os momentos difíceis e de superação até que Patrick se consolidou como atleta.

“Eu não gosto de esquecer e nem de apagar tudo aquilo que passamos. Até porque, essa realidade de altos e baixos faz parte da vida da maioria das famílias de atletas. Os milionários, de times famosos e que têm uma vida luxuosa é o que as pessoas gostam de ver, mas é muito diferente da maioria dos jogadores”, disse ela.

WAG sem glamour

A história de Vanessa e Patrick começou em um momento de crise profissional para a modelo, que já não conseguia propostas vantajosas no mercado internacional. “Eu já havia feito ensaios para revistas e inúmeros trabalhos em agências, mas houve um momento em que fui chamada de ‘party girl’, ou seja, eu era vista como alguém que só servia para uma vida de festas”.

Durante uma viagem ao México, a brasileira conheceu o jogador, que na época atuava em um time da segunda divisão mexicana. Os dois se conheceram em uma festa e se apaixonaram. Pouco tempo depois, começaram a viver juntos, dividindo além da vida romântica, as dificuldades do meio esportivo. “Mesmo com os desafios, ter conhecido o Patrick me ajudou muito. Ele passou a me mostrar que eu precisava me fortalecer, comer direito e dormir bem, tudo aquilo que eu esqueci de fazer naquele período de excessos”, relembrou.

A modelo contou que as coisas ficaram ainda mais difíceis na pandemia de Covid-19, quando o marido foi dispensado da equipe mexicana e cortou relações com seu empresário.

“Esse empresário não queria que ele enviasse dinheiro para a família em Camarões, mas me mandava dizer isso para que eu saísse como errada, algo que nunca concordei. Com a chegada da pandemia, Patrick foi deixado para trás, porque o empresário dizia que a carreira dele não tinha mais proveito nenhum”.

Enquanto decidiam como prosseguir, Vanessa começou a chamar atenção nas redes sociais, mostrando uma rotina realista no meio esportivo. Com as economias que restavam, o casal se mudou para a Espanha, onde a sorte aos poucos começou a mudar.

“Quem me vê pelas redes sociais sabe que nossa vida começou a mudar há pouco tempo, menos de um ano. Quando chegamos aqui, não havia conhecidos e o primeiro contrato de Patrick era de dois anos, que passaram voando. Foi só agora, com o contrato com o Almería que passamos a ter uma realidade confortável”, explicou.

Ídolos em Camarões

No último ano, o marido de Vanessa representou a seleção de seu país durante a Copa Africana das Nações, o que tornou o casal celebridades em Camarões. Em 2026, o casal vivia um momento de luto, após a morte do pai de Patrick, mas foi surpreendido com o clima de festa que se instalou no país. A brasileira viralizou ao mostrar a escolta militar no caminho entre o aeroporto e a casa do jogador. “Patrick me disse que militares esperariam por nós, mas eu confesso que imaginei se tratar de uma brincadeira. Foi uma surpresa descobrir que era verdade e que para eles, meu marido é uma figura muito importante”.

Mesmo durante o funeral do pai de Patrick, que aconteceu meses depois conforme os costumes camaroneses, a família os recebeu com festa, o que causou certo choque cultural em Vanessa. “Depois, entendi que a festa se deve ao fato do funeral ser tratado como uma celebração da vida do falecido, de sua família e de seus filhos. Foi um momento transformador em que entendi melhor o porquê do Patrick ser tão forte em momentos difíceis”.

Embora se veja em uma situação diferente de muitas outras WAGs habituadas com fama e luxo, Vanessa diz que não se sente diferente de outras mulheres como ela, que encontraram no lifestyle uma fonte de trabalho. “Não julgo nenhuma delas. Sei que muitas exibem a realidade a partir do luxo e, tudo bem, porque ninguém é obrigado a mostrar as fraquezas e dificuldades. No entanto, sempre haverá quem gosta de acompanhar os perrengues e vibrar com as conquistas graduais que vivemos juntos”.

O título, que antes era visto como pejorativo, hoje é assumido por Vanessa, que se estabilizou criando conteúdo. Hoje, ela é tão reconhecida quanto o marido, seja no Brasil, na Espanha e em outros países africanos além de Camarões: “Já encontrei meninas que me seguem no Marrocos, em passeios por Málaga (cidade da Espanha) e até mesmo em Milão (Itália). Fico feliz que as pessoas gostem de me ver e acho que, no futuro, nossa família vai poder ver como começamos”.