Vermelho delicado, de Teresa Veiga (Tinta-da-China; 144 páginas; R$ 79,90)
Em uma carreira de mais de 40 anos, Teresa Veiga recebeu prêmios, elogios da crítica e a admiração de leitores, incluindo Chico Buarque, sem abrir mão da privacidade, já que assina suas obras com um pseudônimo. A coletânea de contos Vermelho delicado chega ao público brasileiro após ficar entre os finalistas do prêmio Oceanos em 2025. Nas sete histórias protagonizadas por personagens femininas, Veiga usa uma linguagem cirúrgica e, por vezes, tragicômica para revelar o sinistro presente na vida cotidiana. No conto que dá nome ao livro, duas amigas se reencontram e, ao descobrirem que perderam seus maridos no mesmo dia e no mesmo hospital, passam a rever eventos do passado sob uma nova perspectiva.
A correspondente, de Virginia Evans (Editora Sextante, Trad. Camila Fernandes Carmocini; 272 páginas; R$ 69,90)
Romance de estreia de Virginia Evans, A correspondente virou um fenômeno literário com mais de 2 milhões de exemplares vendidos no mundo e 17 semanas na lista de best-sellers do The New York Times. Os direitos de adaptação para o cinema foram vendidos, e o filme terá Jane Fonda no papel principal. A atriz, vencedora de dois Oscars, interpretará Sybil van Antwerp, uma aposentada que envia dezenas de cartas diariamente para amigos, familiares e autores que admira. Ao lidar com a perda gradual da visão e com cartas ameaçadoras que passam a chegar em sua caixa de correio, Sybil precisa enfrentar um passado misterioso.
Lições de grego, de Han Kang (Todavia; 168 páginas; Trad. Natália T. M. Okabayashi; R$ 89,90)
O novo romance da vencedora do prêmio Nobel de 2024 acompanha o encontro de duas pessoas que se reconhecem na escuridão dos sentidos. Um professor de grego que perde a visão e uma aluna que perde a voz descobrem uma forma de comunicação que vai além das palavras. Com memórias fragmentadas e escrita sensível, Han Kang narra a sintonia que pode surgir diante da fragilidade da vida, em uma carta de amor à linguagem.
Os armários vazios, de Annie Ernaux (Fósforo; Trad. de Mariana Delfini; 144 págs; R$ 74,90)
Antes de se tornar um dos grandes nomes da literatura contemporânea, Annie Ernaux estreou com este romance em 1974, agora traduzido pela primeira vez para o português. A história acompanha Denise Lesur, uma jovem que dedicou anos à escolarização e às boas maneiras para ascender socialmente e, após fazer um aborto clandestino, teme colocar em risco sua posição de privilégio. Os temas antecipam o que consagraria Ernaux na autoficção, e o livro também mostra o início de uma escrita que transformaria experiências pessoais em literatura.
Lia, Mira, Maria, de Marília Garcia (Martins Fontes, 112 páginas; R$ 69,90)
Em 10 de dezembro de 2021, Marília Garcia perdeu a mãe, Lia. Um mês depois, morreu sua grande amiga Maria Nazaré. A pedido da família, ela ficou responsável por guardar obras da artista brasileira-suíça Mira Schendel: pequenas monotipias feitas com palavras gravadas em tinta sobre papel de arroz. Desse percurso de luto emergem as trajetórias dessas três mulheres, que dão origem a esta antologia de poemas. Com fotografias, textos, poesia e obras de arte, o livro transforma a dor em matéria literária, em uma ferida que cicatriza e se reabre conforme Garcia revisita o passado e os mistérios da morte.
Coração iluminado, de Banu Mushtaq (Instante; Trad. Julia Dantas; 224 páginas; R$ 89,80)
Banu Mushtaq nasceu na região de Karnataka, no sul da Índia. Entre as décadas de 1990 e 2020, a jornalista, advogada e ativista atuou na defesa dos direitos das mulheres em comunidades muçulmanas minoritárias. Inspirado nessas experiências, Coração iluminado é o primeiro livro originalmente escrito em canarês, língua nativa do estado indiano, a vencer o International Booker Prize. Com tradição oral e humor ácido, a autora conta, em 12 contos, o cotidiano das famílias e denuncia as formas de opressão religiosa, social e política sofridas pelas mães que sustentam a ordem doméstica.
