O mês de junho chega com uma seleção de livros escritos por mulheres que abordam as transformações do mundo atual. As obras, que mesclam relatos pessoais e análises culturais, tratam de temas como produtividade, política, tecnologia, arte e sociedade.
Vertigem, de Lela Brandão (Sextante; 240 págs.; R$ 59,90), é o primeiro livro da artista plástica, apresentadora do podcast “Gostosas também choram” e criadora de uma marca de roupas. Na obra, a autora usa experiências íntimas para revelar sintomas coletivos. Entre o relato pessoal e a observação cultural, ela escreve sobre os vazios causados pelo excesso de produtividade, hiperconectividade e cobrança constante. A autora também aborda suas próprias ansiedades e a dificuldade de manter uma rotina cheia de estímulos.
Meu país, a África, de Andrée Blouin (Boitempo; Trad. Monica Stahel; 302 págs.; R$ 99,90), é uma autobiografia publicada originalmente em 1983. A obra revisita acontecimentos pessoais da autora, que ela relaciona às tensões políticas e raciais da descolonização africana. A ativista relembra a infância em um orfanato religioso para crianças mestiças, a morte do filho após ter acesso negado a comprimidos de quinina e sua atuação ao lado do líder congolês Patrice Lumumba. O livro mostra como a violência colonial atravessava as experiências cotidianas.
O império da IA, de Karen Hao (Rocco; Trad. Ananda Alves e André Sequeira; 480 págs.; R$ 99,90), é escrito pela premiada jornalista norte-americana. A obra mergulha no universo da inteligência artificial generativa a partir da experiência da autora, que acompanhou de perto a OpenAI, criadora do ChatGPT, em 2019. O livro conecta o avanço da IA a forças corporativas, exploração de trabalho precarizado e impactos ambientais. A obra traz relatos de engenheiros do Vale do Silício, trabalhadores do Quênia e ativistas ambientais no Chile.
Minha mãe e a música, de Marina Tsvetáieva (Martins Fontes; Trad. Irineu Franco Perpétuo; 96 págs.; R$ 49,90), revisita a relação da poeta russa com a mãe, a pianista Maria Meyn. A autora relembra uma infância marcada por estudos musicais rigorosos, disciplina e uma mistura de fascínio e medo pelo piano. O livro transforma essas lembranças em uma reflexão sobre formação artística, sensibilidade e linguagem, mostrando como as experiências da infância ecoam na vida adulta.
Eu mereço!, de Paula Sibilia (Ubu; 160 págs.; R$ 69,90), investiga como a ideia de merecimento se tornou um mantra contemporâneo. A antropóloga argentina analisa como o desgaste da moral burguesa e a ascensão do neoliberalismo transformaram desejo, consumo e satisfação pessoal em experiências legitimadas pelo merecimento. A obra aponta o “eu mereço” como justificativa para excessos, indulgências e novas formas de cinismo social, em meio a discursos de autoempoderamento e exposição digital.
Diga a coisa como ela é, de Tatiana Salem Levy (Tinta-da-China Brasil; 240 págs.; R$ 89,90), reúne ensaios publicados pela autora nos últimos anos. A romancista comenta personagens e processos de escrita de nomes como Elena Ferrante, Annie Ernaux, Susan Sontag e Sylvia Plath. A obra também percorre temas recorrentes da literatura da autora, como corpo, deslocamento e desejo.
Na noite lésbica, de Julia Kumpera (Autêntica; 152 págs.; R$ 64,90), recupera o protesto de mulheres no Ferro’s Bar, em São Paulo, no início dos anos 1980. A historiadora reconstitui a atmosfera do centro paulistano durante os anos finais da ditadura. O livro percorre circuitos da época para mostrar como os espaços urbanos ajudaram a construir a história LGBTQIAPN+ no Brasil, destacando o papel da ocupação coletiva na formação de experiências políticas e culturais.
