Na temporada de inverno 2026 de alta-costura, que aconteceu na última semana, a simetria perdeu espaço. De Chanel a Balenciaga, passando por Dior e Elie Saab, o decote de um ombro só se impôs como uma das principais tendências da estação. Drapeado ou carregado de bordados, o recorte funciona como alternativa a decotes profundos ou ao clássico modelo reto sem alças. Das passarelas, surgem boas inspirações para as próximas festas.
Na Chanel, o decote apareceu nos looks de transparências finíssimas, feitos em musseline de seda e cetim, e também nas construções em tweed, fugindo do conjunto clássico para ser transformado em vestido. Na Dior, Jonathan Anderson direcionou sua pesquisa para o trabalho da artista Lynda Benglis, cujas esculturas inspiraram os plissados e pregas da coleção.
A coleção de Tamara Ralph carrega elementos do sul da Ásia, como as silhuetas alongadas, adereços como as franjas e os bordados minuciosos feitos à mão. Os vestidos ganham drapeados translúcidos, cinturas estruturadas e camadas de renda. Na Elie Saab, os vestidos de festa ganham carga dramática, surgindo em versões drapeadas e retorcidos em formas orgânicas. Fluidos e bordados ou estruturados em colunas, os modelos têm em comum o decote de um ombro só.
Na passarela da Schiaparelli, Daniel Roseberry vai muito além do decote um ombro só convencional, explorando recortes, drapeados e curvas acentuadas — é quase um convite a experimentar com as formas do corpo. Na coleção de Zuhair Murad, o modelo de um ombro só vem acompanhado de fenda profunda e drapeados no veludo em verde profundo.
Refletindo os pilares fundamentados por Cristóbal Balenciaga, Pierpaolo Piccioli molda as silhuetas da coleção com base na arquitetura. Aqui, a peça é construída a partir de faixas de neo-gazar (uma reedição do tecido finíssimo criado pelo próprio Balenciaga) e uma saia volumosa, que conferem um aspecto escultural ao vestido. Iris Van Herpen se inspirou no cosmos: das vibrações das estrelas, passando pelas ramificações de supernovas, até galáxias em espiral. Nas peças, surgem camadas de chiffon em diferentes tonalidades de azul, que evocam uma natureza celestial.
