Quando Karol Conká subir ao palco da Casa Natura neste sábado (18) em São Paulo, ela não estará só. Sobem com ela meninas de todo o Brasil, que se jogaram nas pistas de dança e se identificaram com as letras empoderadas de Batuk Freak, álbum lançado em 2013 que colocou a curitibana no cenário nacional.
Desde que anunciou shows dedicados ao álbum e para celebrar seus 25 anos de estrada, a reação foi imediata: a primeira sessão, às 21h, esgotou imediatamente. Por isso, ela abriu uma nova apresentação, no mesmo dia, às 23h. “É um álbum atemporal porque ele traduz uma vida urbana, a mente de alguém que quer desbravar a cidade”, contou a artista em conversa por telefone com Marie Claire.
Em Batuk Freak, a rapper apresentou ao grande público a liberdade e a autoestima que marcaram sua trajetória. Produzido por Vinicius Leonard Moreira, o Nave Beatz, o disco segue uma referência, inclusive visual. “Gosto muito de pensar um visual para cada era. Eu adoro porque esse disco é muito amarelo, rosa, que são cores cheirosas, frutadas. Agora, estou com esse cabelo, que são microlocks, que eu faço. É uma técnica com uma agulha de crochê, com meus fios naturais. Vou trazer algumas referências ao álbum, porque ele é uma ferveção”, brinca.
Sempre sorridente e vivendo uma fase mais tranquila, Conká diz que está em paz. Conta que acha importante “colocar para fora” seus sentimentos, mas sem estar muito reativa. “Eu gosto de viver”, conta. “Eu já tive picos de desânimo onde não via graça na vida. É normal de todo ser humano. Mas, eu gosto de viver intensamente, de me atualizar. Estou sempre antenada com o eu posso, de acordo com o que meu tempo permite. Eu me mantenho sempre atualizada.”
As amizades seguem fundamentais, inclusive com os mais jovens. “Acho que é isso que mantém a minha música tão plural e colorida”, diz. Neste ano, Conká também prepara um novo álbum, que está em fase de produção. Também em 2026, o filho da rapper, Jorge Conjota, lança seu primeiro trabalho. Os dois têm trocado bastante durante esse processo criativo. “Eu chamo ele para vir dar uns pitacos, porque sou muito crítica, exijo demais de mim. Isso às vezes me trava. Por isso, eu gosto de pedir a opinião de pessoas. Ele tem sido um grande companheiro, um aliado nesse meu processo”, conta.
Mãe e filho estarão juntos nos dois projetos. “Quando ele me mostrou a gravação dele, eu chorei. Ele tem tanta coisa pra falar”, diz ela, que vê diferenças entre os dois. “Ele é um cara mais calmo, mais tranquilo, puxou ao pai. Ele tem 20 anos, mas já dá pra ver que a veia artística dele tá pulsando, circulando”, define.
Após os dois shows em São Paulo, a rapper segue para Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC). Aos que cravaram o fim de sua carreira após o BBB, a artista se diverte. “Sinto muito por quebrar essa expectativa”, afirma. “Ninguém tem o poder de ditar o que vai ser da vida da outra pessoa. O fim, o cancelamento de alguém, só é definido se essa pessoa desistir de viver. Enquanto houver vida, haverá esforço. Estou disposta a trabalhar, a fazer música, a me tornar uma pessoa melhor, a evoluir.”
