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Programadora trans cria IA que detecta ódio contra LGBTQIAPN+

Divulgação/Código Não Binário

A programadora Veronyka Gimenez, de 40 anos, desenvolveu um modelo de inteligência artificial chamado TybyrIA, que detecta discursos de ódio contra a comunidade LGBTQIAPN+. A ferramenta foi premiada internacionalmente em novembro de 2025, durante uma conferência de IA cooperativa em Istambul, na Turquia.

O interesse de Veronyka pela tecnologia começou na adolescência, quando ela buscava melhorar o desempenho de processadores de computadores domésticos para jogar videogame. Esse fascínio a levou para o hackeamento, que depois se tornou sua profissão. Na vida adulta, ela trabalhou em uma multinacional de tecnologia, mas sentiu que queria ir além.

Em 2008, Veronyka reuniu um grupo para discutir o uso da programação em causas sociais. Em 2013, durante o governo de Fernando Haddad em São Paulo, ela contribuiu com projetos de ciclovias, corredores urbanos e núcleos de habitação social. Com o avanço de discursos autoritários e conservadores, ela se dedicou ao hacktivismo.

Foi nesse contexto que surgiu o Código Não Binário, organização financiada pelo Fundo-Brasil e apoiada pelo Digital Democracy Initiative. O grupo criou a TybyrIA, primeiro modelo em língua portuguesa para identificar discursos de ódio. A ferramenta opera gratuitamente pelo Radar Social LGBTQIA+ e detecta transfobia, homofobia, lesbofobia, bifobia, violência e citação ao “nome morto”.

Veronyka afirma que a ideia surgiu após participantes de um podcast do grupo, especialmente pessoas trans, sofrerem preconceito. Ela explica que os dados coletados durante ataques foram usados para treinar a IA a reconhecer essas agressões como violência.

A programadora destaca a dificuldade de dialogar com grandes empresas do mercado digital, devido ao conservadorismo. Ela cita o alinhamento do setor tecnológico com um projeto colonial, que ficou mais claro após o segundo mandato de Donald Trump.

O reconhecimento veio com o Du Bois Prize de “Menção Especial”, concedido pelo Platform Cooperativism Consortium. Veronyka diz que foi uma surpresa e que o prêmio dá visibilidade e credibilidade ao trabalho. Agora, ela foca na educação, promovendo oficinas de capacitação e produzindo vídeos para combater a desinformação.