A New York Public Library foi o palco do desfile de primavera 2027 de Marc Jacobs na noite de segunda-feira (29). O designer americano apresentou uma coleção enxuta, com 31 looks exibidos em pouco mais de quatro minutos. As peças eram marcadas por tons saturados e textura de PVC, com saias e vestidos mini que combinavam sensualidade, humor e um toque de estranheza, características já reconhecidas do estilista.
A coleção foi batizada de “Gratitude”. Nas notas do desfile, Jacobs escreveu sobre reconhecer a abundância independentemente do contexto e descreveu o ato de criar como sua forma mais sincera de expressão.
O designer também listou suas referências, como fez em fevereiro. Entre elas estão a primavera 1996 de Junya Watanabe, com camadas transparentes de nylon e vestidos camisola com efeito trompe l’oeil, e o musical “All That Jazz”, de Bob Fosse, com bodies bordados e meias-calças contrastantes. Outras inspirações vieram dos desfiles de primavera 2007 da Prada, primavera 2009 da Louis Vuitton (quando Jacobs estava na direção criativa), e primavera 1993 da Saint Laurent e da Chanel, que influenciaram silhuetas e a paleta de cores.
Na passarela, se destacaram minissaias estruturadas em couro com textura croco, vestidos-regata curtos com franjas de PVC e regatas plásticas sobre saias plissadas de poá. Essas peças são uma releitura de coleções do próprio Jacobs, de 1998 e 2000. Os looks eram abertos por camadas de malha e nylon transparente, que também remetem ao styling do último desfile feminino da Prada, de inverno 2026.
Por trás da extravagância visual, há uma estratégia comercial. Jacobs deu sequência à abordagem usada na coleção de primavera, que misturou peças de passarela com a linha pre-fall, bolsas e beleza em uma única campanha de verão. Jaquetas bordadas com brilho e tops de corselete sem alça, por exemplo, foram criados tanto para o sucesso nas lojas quanto para os holofotes do desfile.
Na primeira fila, estavam nomes como Sidney Toledano, da LVMH; Yehuda Shmidman, Effy Zinkin e Stanley Silverstein, da WHP Global; e Morris Goldfarb, da G-III Apparel. Em maio de 2026, o grupo francês LVMH vendeu a marca Marc Jacobs por cerca de US$ 1 bilhão para a WHP Global, em parceria com o G-III Apparel Group. O fundador Marc Jacobs continua como diretor criativo, mas a marca passa por um momento de transição.
