quinta-feira, maio 7

O cuidado com a saúde das mulheres mudou. O que antes se resumia a consultas periódicas e exames ginecológicos deu lugar a uma abordagem que conecta corpo e mente nas diferentes fases da vida e reconhece o peso das muitas funções que elas ainda carregam.

Ter a atenção de profissionais de confiança e uma rede de apoio é o que torna esse olhar global possível. “A especialidade que mais acompanha a mulher é a ginecologia, pois engloba toda sua vida. É importante que esse acompanhamento seja realizado por profissionais de referência, que pensem não só na doença, como também na saúde como um todo”, afirmou a ginecologista Luciana dos Anjos, do Einstein, durante o evento Quem Ama (se) Cuida, promovido pela revista Marie Claire e o Einstein Hospital Israelita, no fim de março.

E acompanhar de perto a mulher, da juventude à pós-menopausa, pressupõe uma relação entre profissionais e pacientes mais conscientes. “Atender uma paciente que já tem noção sobre seus sintomas facilita muito. O que precisamos é de profissionais que consigam filtrar essas informações e convertê-las corretamente para o diagnóstico”, pontuou a endocrinologista do Einstein Ana Luísa Rio, no mesmo painel.

Entre as fases que mais carregam tabus, medos e desinformação está a menopausa. “As pessoas temem esse período por não conhecerem todas as opções e tratamentos disponíveis”, afirmou a atriz e apresentadora Carolina Ferraz, que também participou do painel. “Hoje temos acesso à reposição hormonal, que evita uma série de problemas e nos ajuda a ter mais qualidade de vida. Para isso, é importante contar com um médico que saiba indicar os melhores caminhos em cada caso.”

O desafio do autocuidado

Para a atriz Flávia Alessandra, o olhar do cuidado e do autocuidado acompanha a mulher desde a juventude. “A gente percebe mais do corpo, se está cansada ou não. Seja do nosso corpo ou do outro. E isso vem do lugar dessa nossa busca por autoconhecimento, que acontece mês a mês”, observou, durante o evento. O apoio da família também é importante para que a mulher possa cuidar de si. “Eu tenho a sorte de ter um marido participativo. Divido com ele a minha rotina, e ele me auxilia muito”, disse.

Mas essa não é a realidade de boa parte das mulheres. Ainda hoje, elas dedicam quase o dobro do tempo que os homens ao cuidado da saúde familiar. E, paradoxalmente, costumam ser as últimas a cuidar de si. “Essa sobrecarga acaba fazendo com que elas, muitas vezes, negligenciem a própria saúde”, observou Ana Luiza Sabino, clínica geral e referência técnica da Unidade de Pronto Atendimento do Einstein em Goiânia.

A médica destacou a importância da promoção da saúde e da prevenção. “É fundamental ter um bom sono, uma boa alimentação e um estilo de vida saudável. Os bons resultados de exames são consequência dessas práticas”, disse. No Einstein em Goiânia, primeiro hospital da rede fora de São Paulo, esse olhar marca um cuidado que vai do check-up até intervenções mais complexas, com o que há de mais avançado em tecnologia.

Para a influenciadora Layla Monteiro, o diagnóstico precoce de esclerose múltipla a levou a desenvolver uma relação mais atenta com o próprio corpo. “Hoje eu não vivo a doença, eu vivo a saúde. A doença é um detalhe que aconteceu na minha vida”, disse, acrescentando a importância do tratamento de ponta e do acolhimento que recebeu. “Eu tinha a medicina ao meu lado e o apoio da minha família. Isso fez toda a diferença.”

Sobrecarga mental

O estresse crônico é um dos efeitos do acúmulo de responsabilidades que acomete grande parte das mulheres. De acordo com a Associação Americana de Psiquiatria, mulheres têm duas vezes mais chances de desenvolver depressão e ansiedade. Entre as consequências das jornadas exaustivas, está a produção de uma série de hormônios que desregulam o centro emocional.

Segundo Dulce Brito, gerente médica de bem-estar e saúde mental do Einstein, os protocolos passaram por mudanças para colocar a saúde mental no centro do cuidado: “Procuramos entender as dores, o que sentem naquele momento e como podemos contribuir para que essa jornada seja mais leve”.

Essa pauta ganha ainda mais força entre as gerações mais jovens. Filha de Flávia Alessandra, a cineasta Giulia Costa assumiu o papel de reforçar com a família a importância de estar alerta aos sinais de esgotamento do corpo e da mente: “Uma vez eu dei um quadro de presente para minha mãe que dizia: ‘dias de descanso não são dias de descaso’. Existe essa culpa na geração dela em não poder descansar, não poder parar”, contou.

De fase em fase

No painel dedicado à maternidade e à saúde da criança, as convidadas discutiram desafios dessa fase e a importância do cuidado compartilhado e da rede de apoio. Esse olhar informado sobre a própria saúde ganha novos contornos ao longo da vida, acompanhando as mudanças e os desafios de cada fase. A chegada da maternidade, por exemplo, inaugura novas responsabilidades e demandas, aumentando a necessidade de uma rede de apoio estruturada.

Para a pediatra Quíssila Neiva, do Einstein, construir confiança entre médica e família é fundamental. “É nesse núcleo aberto e de tranquilidade que vamos ter crianças crescendo saudáveis”, afirmou. Essa percepção também aparece na vivência de muitas mulheres. Mãe de dois meninos, a influenciadora Raiza Marinari reforçou a importância de ter com quem contar e de adotar um olhar mais acolhedor sobre a própria maternidade. “O que a gente precisa é ser mais leve e não se cobrar tanto. Ter confiança em quem está ao lado e uma boa rede de apoio que te ajude dentro da sua realidade.”