Longe da ostentação, o luxo aparece na casa que acolhe, na comida que conversa com o ambiente e na liberdade de receber sem transformar o momento em uma prova de desempenho. Na apresentação da coleção da artista, estilista e designer Marina Bitu, em collab com a Westwing, foi apresentado seu trabalho de estreia no mundo da decoração.
Marina transportou para a casa elementos de seu universo criativo na moda: o fazer artesanal, as referências nordestinas, as texturas e um olhar que transborda do corpo para o território. Em suas peças estão paisagens construídas na fronteira entre o que nos cerca e o que carregamos por dentro. A coleção reúne almofadas de linho e tapetes gráficos.
Outra atração do evento foi a gastronomia de Breno Baiocchi, responsável pelos comes e bebes da tarde de lançamento. A comida trouxe o tema do luxo simples, da descontração e da naturalidade de quem faz bem-feito e deixa todos à vontade.
A cearense Marina Bitu mostrou ambientes vestidos na linguagem autoral com que escreve moda, sem esconder intimidade com as raízes do Nordeste. A moda está na loja com sua marca no Lapi, espaço no Baixo Pinheiros que mistura loja, rua, galeria e ponto de encontro. A decoração está na Westwing, plataforma de casa, decoração e lifestyle que combina curadoria multimarcas, coleções autorais e experiências físicas e digitais.
Breno Baiocchi é carioca, tem formação em engenharia e encontrou na cozinha uma maneira de reunir amigos e criar atmosferas. Ele transformou esse repertório em ofício e passou a atuar com food design, traduzindo em menus criativos as narrativas de marcas e eventos. Para a tarde de Marina Bitu, ele criou um menu vegetariano guiado pelas formas e pela paleta terrosa da coleção. Havia tapenade, tartar de tomate, creme de queijo de cabra e manteiga batida com raspas de rapadura.
O gesto mais bonito foi a criação de um espelho comestível inspirado no desenho de um dos tapetes da artista. Brigadeiros de castanha de caju, coco ralado, cacau e goiabada desidratada reproduziam formas e cores da peça, fazendo a passagem do chão para a mesa. Cada ingrediente estava ali com a mesma intenção que orienta a escolha de uma matéria-prima em uma obra de arte ou de design.
O sentido mais interessante do food design é não fazer a comida parecer outra coisa, mas permitir que ela conte a história. Receber de maneira despojada significa retirar o excesso para que o essencial apareça: uma casa com personalidade, uma mesa gostosa e tempo para estar junto.
